Biguaçu, SC

Disciplina
Artes e ofícios dos saberes tradicionais: curas e cuidados (2015.1)

Alcindo Wherá Tupã Moreira e sua companheira Rosa Poty Djá Mariano Cavalheiro são amplamente conhecidos e respeitados na rede das aldeias guarani do sul e sudeste do Brasil como karaikuery, isto é, rezadores, curadores e líderes espirituais dotados de grandes poderes e conhecimento. Nascidos nos anos 1920, eles passaram grande parte de sua vida adulta migrando pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Suas migrações foram muitas vezes motivadas por fatores que incluem o aumento da ocupação não-indígena no território guarani e a violência que frequentemente resultou desse processo, e durante alguns períodos de sua trajetória eles chegaram a viver e a trabalhar entre não-indígenas. Fazendo parte de um amplo movimento de reocupação dos territórios tradicionais guarani protagonizado pelas famílias extensas indígenas no sul e sudeste do Brasil a partir dos anos 1970, este casal chegou em Santa Catarina no final dos anos 1980 com seus filhos e familiares, vindo do sul numa migração inspirada por sonhos xamânicos. Eles se fixaram na aldeia Yynn Morothi Wherá, ou Mbiguaçu, (Biguaçu, SC), onde se estabeleceram durante um longo período motivados pelo projeto de voltar a viver de acordo com o “modo de vida guarani”, ou nhandereko. Em 2015 se mudaram para a Reserva Indígena Amaral, ou Tekoa Mbyá Roká, também localizada no município de Biguaçu (SC). Atualmente Alcindo e Rosa provavelmente estão entre as lideranças espirituais guarani mais velhas da região, e possivelmente de todo o Brasil. Sua trajetória de vida é marcada pela busca de manter e fortalecer o modo de ser guarani, e eles se encontram comprometidos com o projeto de repassar seus conhecimentos para as gerações mais jovens e de formar novos karaikuery.

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