Comunidade de Nogueira, AM

Disciplinas
Artes e ofícios dos saberes tradicionais, módulo “A dinâmica das Manivas do Médio Solimões” (disciplina piloto em 2014)
Seminário Encontro de Saberes: conhecimentos tradicionais e conhecimentos científicos (disciplina piloto oferecida para a pós-graduação em 2014)

Dona Maria Eugênia mora em Nogueira, comunidade de terra firme na região do Médio Solimões, Amazonas. É mestra na arte de cultivar roçados, com o conhecimento de uma vida inteira plantando muitas qualidades de mandioca. Nasceu em 1947 na cidade de Alvarães, a meio caminho entre Tefé e Nogueira. Nogueira foi importante produtora de farinha, bem como de castanha-do-pará. Durante muitos anos a vida dos moradores era regulada pelos ciclos de produção de castanha e farinha. Depois da construção de uma estrada ligando as duas cidades, a comunidade se voltou para outras atividades de renda, especialmente o assalariamento, o pequeno comércio e a condução do moto taxi. Com isso, o grande saber agrícola não está sendo passado para os jovens. A participação de Margarida e Maria Eugênia no Encontro de Saberes da UFMG em 2014 teve uma grande repercussão local. Para além do reconhecimento nacional, o fato das duas terem sido chamadas para ensinar em uma universidade do sudeste causou surpresa e assim ajudou a trazer de volta o orgulho de um saber milenar.

Margá e Eugênia, como são conhecidas, aprenderam a arte do cultivo de roça com os antigos. Nogueira foi uma aldeia de missionários e foi habitada por indígenas de várias etnias. Guardou até recentemente várias tradições dos antigos, como o plantio do coração da roça e o ritual piá, da primeira colheita de mandioca. Margá e Eugênia são mães, Eugênia é viúva e Margá é casada com José. Filhos de ambas são professores, mas as duas cursaram as primeiras séries do ensino fundamental. Seu saber foi adquirido na roça e acompanhando os pais nas atividades diárias de cultivo, coleta, pesca e até de caça. Sabem tecer palha, tirar barro, conhecem plantas medicinais e combinam a castanha e a goma para fazer a melhor farinha de tapioca – sequinha, crocante e com pedaços de castanha torrada.

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