Tekoha Guaiviry (território retomado do povo Kaiowa), Mato Grosso do Sul

Rezadora, agricultora, cantora, conhecedora e manipuladora de remédios com a utilização de plantas das matas do cerrado, do campo, do brejo e das beiras de rio, exímia preparadora do ka˜gu˜i, bebida ritual Kaiowa feita de milho (branco e amarelo), batata, batata-doce, mandioca e frutas.

Mestra e Doutora nos saberes e fazeres do povo Kaiowa, formou-se junto com seu companheiro, o xamã Ñanderu Valdomiro Flores (falecido em 2016), com quem teve 10 filhos, cinco deles vivos e trabalhando juntos nos roçados do Guaiviry, território originário onde viveram seus pais, irmãos, tios e tias, avôs e avós bem como toda uma extensa parentela.

Conhecedora de amplo repertório de cantos sagrados que incluem as rezas longas (mburahei puku), as rezas de busca da palavra-alma ou nominação das crianças (jeroky ñemongarai) e os cantos de propiciação e encantação (guahu e kotyhu), além de amplo repertório de histórias-mitos, da memória de técnicas construtivas, artísticas e de conduta do “tempo antigo”.

Testemunhou o violento histórico de luta pela terra e atuou na resistência linguística, cultural, existencial dos povos Ñandeva e Kaiowa no Mato Grosso do Sul.

Dona Tereza atuou nas rezas longas realizadas junto com seu marido (depois de seu falecimento, junto com os netos) durante mais de oitenta anos, tendo idade estimada em torno de 100 anos atualmente.

Seu reconhecimento como autoridade não se restringe à comunidade do Tekoha Guaiviry, território retomado e auto-demarcado por sua família extensa e ampla rede de parentela, mas aos locais onde residiu como a Reserva Amambai no município de Amambai-MS e diversos territórios indígenas no Paraguai, onde residiu por mais de 20 anos, junto aos Pa’i Tavyterã, como é conhecido o povo Kaiowa do outro lado da fronteira.

É co-autora do livro Te’e: Rezas e Filosofia Kaiowa (em preparação), consultora e revisora do projeto de pesquisa “Regimes de Conhecimento e Formas de Vida na Universidade: experiências e experimentos cosmopolíticos em face de conhecimentos tradicionais e outras epistemologias do (in)visível” junto com a profa. Luciana de Oliveira (professora parceira no módulo Kaiowa de Políticas da Terra).

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