foto: Mestre Donizete por Pedro Aspahan
É com imensa alegria que publicamos a seguir a Série: Memórias da Capoeira em Minas Gerais, dirigida por César Guimarães e Pedro Aspahan!
Ela é composta por 25 Retratos Audiovisuais de Mestres de Capoeira representantes de todas as 13 Mesorregiões do Estado de Minas Gerais!
Os mestres foram indicados pelo Coletivo da Salvaguarda da Capoeira, numa parceria com o nosso Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais UFMG e com o IPHAN-MG, por meio de um TED e de um projeto de extensão, coordenado por Pedro Aspahan (EBA-UFMG).
A série deu origem também a um filme de longametragem intitulado: Tudo que Capoeira Toca (César Guimarães, Pedro Aspahan, 2026, 80′), que está em fase de distribuição para festivais de cinema.
O lançamento oficial da série acontece nessa quarta feira, dia 24/03/2026, na sede do IPHAN-MG em Belo Horizonte.
Texto fornecido pelo mestre:
“Amadeu Martins, Grão Mestre Dunga, é natural de Feira de Santana, Estado da Bahia. Mestre Dunga foi Cabo do Exército Brasileiro, no 11º Batalhão de Infantaria Montanha, em São João Del Rei. No final da década de 1960, por influência de Antônio Maria Cavalieri, Mestre Toninho Cavalieri, passa à residir em Belo Horizonte. Nessa época, a Capoeira era praticada por um grupo ligado à zona sul e Mestre Dunga se dedica na divulgação da Capoeiragem nas ruas e vilas da capital mineira. No “Fundo de Quintal”, um “Celeiro de Bambas”, a escola formou grandes capoeiristas, e posteriormente, a construção de sua escola, a Senzala, situada na vila São Vicente (Marmiteiro), no bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, transformando-a num centro de referência no ensino da Capoeiragem. Em 15/03/1981, convoca seus seguidores em Assembleia Geral para fundação da Associação de Capoeira Cordão de Ouro – Eu Bahia. Em 2004, lança seu primeiro CD: “Grão Mestre Dunga – A Lenda Viva da Capoeira”, que possui 28 faixas de puro valor folclórico, com angola, banguela, maculelê e puxada de rede. Em 2006, passou a ser denominada de ABRACCE, Associação Brasileira de Capoeira Cordão de Ouro – Eu Bahia, devido à globalização e crescimento proposto pelos seguidores. Possui diversos núcleos de ensino em Minas Gerais, em academias, escolas e associações.”
Texto fornecido pelo mestre:
Mestre Primo começou pela capoeiragem de rua, no final dos anos 1970, enquanto militava no Movimento Negro, e na década seguinte foi ao encontro dos grandes capoeiristas da linhagem do Mestre Pastinha, como João Pequeno. Seu trabalho junto ao Coletivo Iúna de Capoeira Angola, fundado por ele no bairro Saudade (na casa da mãe), combina a educação comunitária, a partilha do conhecimento ancestral e a formação política contra-colonizadora
Texto fornecido pelo mestre:
Iniciou-se na capoeira na década de 70, em Duque de Caxias, RJ. Passou a treinar com Mestre Moraes em 1976, fazendo parte da história do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP) no Rio de Janeiro. Nos anos 80, mudou-se para Belo Horizonte, formando o grupo N`Golo Capoeira Angola. Em 1995, junto aos Mestres Cobra Mansa e Valmir, criou a Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) e deu início à FICA-Belo Horizonte. Convidado para conduzir um trabalho de capoeira angola nos EUA, fundou a FICA-Seatle, em 1996, onde viveu durante 10 anos. Atualmente, é também responsável pelos núcleos da FICA em Moçambique, Havaí, Texas, Califórnia, Portland (Estado de Washington) e Nova Iorque. Realiza oficinas e palestras sobre a história e a filosofia da capoeira angola em diversas universidades, escolas e em eventos de capoeira no Brasil e no exterior.
Texto fornecido pelo mestre:
“A formação de Mestre João Angoleiro teve início nos meados dos anos 1970, quando jogou capoeira de rua com o Mestre Dunga, em Belo Horizonte, de 1975 a 1980. Em seguida, fez capoeira Angola com Mestre Rogério no Rio de Janeiro, de 1982 a 1985, e estudou mais dois anos com Mestre Morais, na Bahia. Em 1983 estudou dança africana moderna com o senegalês Mamour-Ba. Em 1993 fundou o grupo de capoeira “Eu sou Angoleiro”, no qual, desde então, pratica, pesquisa e divulga a capoeira Angola. Em 1995, dedicou-se à percussão afro-brasileira com Carlinhos Oxossi-Ogam, em Belo Horizonte.
Além disso, a trajetória de Mestre João Angoleiro foi marcada pela atuação no domínio da dança e do teatro: tendo fundado a Companhia Primitiva de Arte Negra em 1989, ele criou, montou e dirigiu diversos espetáculos como “Avanço na conquista”, “Força ancestral”, “Salubaxé”, “Iê Quilombola” e “Poetórias Afro N’zinga N’bandi”. Como desdobramentos dessa dedicação à capoeira e a outras manifestações da cultura afro-brasileira, Mestre João criou no ano 2000 o encontro de cultura de raiz “Lapinha Museu Vivo”, que prossegue com suas edições até os dias de hoje. Somado a isto, de 2005 a 2013 produziu o “Movimento Aldeia Kilombo Século XXI”; editou também três números da revista “Angoleiro o que eu sou”; e dirige a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro (ACESA).”
Texto fornecido pelo mestre:
Nascido em Ouro preto em 1960, Francisco F. Guimarães, conhecido como “Mestre Batata”, começa a sua trajetória como capoeirista na década de 1970, sendo iniciado
pelo Mestre Paulo Brasa, que veio do Rio de Janeiro para o munícipio com o intuito de resgatar a capoeira introduzida pelo Mestre Pedro Mineiro, referência histórica em Minas Gerais.
Durante a sua história na capoeira, o Mestre Batata teve contato com renomados mestres dessa arte em Minas Gerais como o Mestre Boca, Mestre Dunga, Mestre Rogério, Mestre Índio e outras personalidades da capoeira que contribuíram para a sua formação.
Desde 1982, o Mestre Batata vem atuando no ensino de capoeira no município de Ouro Preto, inicialmente deu continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Mestre
Paulo Brasa, em um núcleo localizado no bairro Barra, em um pequeno espaço que contava com o expressivo número de 125 alunos. Durante a década de 1980 o Mestre Batata e o Mestre Damião do município de Mariana deram continuidade as rodas de capoeira de rua, promovendo na Praça Tiradentes encontros culturais de capoeira que atraíam um grande número de participantes oriundos de diversas localidades de Minas Gerais e de outros estados.
O trabalho realizado pelo Mestre Batata na capoeira, sempre foi voltado para atender as comunidades da periferia ouropretana com o objetivo de resgatar jovens e
adultos em situação de risco através da inserção cultural destes na filosofia de vida da capoeira.
No decorrer da sua trajetória, de mais de 40 anos como capoeirista, o mestre transitou por diferentes grupos, onde enriqueceu seus conhecimentos e possibilitou
um amplo intercambio de práticas. Realizou eventos, rodas e oficinas diversas na cidade de Ouro Preto, sempre preocupado em resgatar, preservar e difundir as raízes
da capoeira.
Em 2014, o mestre Batata junto a dois mestres paulistas fundaram o grupo Terra Preta que desde então realiza um trabalho socioeducativo de resgate com jovens e adultos de comunidades carentes. Devido a seu trabalho como capoeirista e sua atuação junto à comunidade ouropretana, o Mestre Batata recebeu várias
homenagens ao longo de sua vida que refletem a importância do seu trabalho social e no que tange a preservação e difusão das tradições afro-brasileiras, sendo o mais recente reconhecimento realizado em Belo Horizonte no ano de 2021.
Texto fornecido pela mestra:
Maria Aparecida Ribeira (Mestra Tida), iniciou na capoeira em 1983 aos 13 anos, formada mestra em 2012, sendo a primeira mulher formada como corda vermelha (Mestra) no Grupo Senzala de Capoeira.
Participou da fundação juntamente com o Mestre Luís Cláudio e alunos no ano de 2010 da Associação Cultural e Esportiva Arte Nossa Capoeira Participa de diversos encontros da capoeira no Brasil e na Europa e a América do Sul, ministrando palestras, workshops e cursos em países como, Finlândia, Itália, Eslovênia, França, Dinamarca, Servia, Argentina, Chile e Colômbia. Dentre alguns temas abordados por ela nesses encontros estão o ensino da capoeira em diferentes faixas etárias, capoeira arte, Educação e Cidadania, empoderamento feminino e a mulher na capoeira.
Realiza eventos femininos desde 1996 quando realizou a primeira roda feminina na cidade de Ubá e é idealizadora do movimento a Roda também é dela evento este que acontece desde 2013, integrante do Movimento Dandara Viva a Capoeira. Integrante do Conselho municipal de Esportes e do Conselho municipal de políticas culturais.
No ano de 2019, realizou um sonho de anos ao gravar o seu primeiro CD de capoeira intitulado “Eu sou Capoeira”. Sendo, provavelmente, a primeira mulher mestra na capoeira a lançar um CD com músicas totalmente autorais.
Mestra Tida é bacharel e licenciada em Educação Física e pós-graduada em Musculação e Condicionamento Físico pela Unifagoc de Ubá-MG. A mais de 30 anos trabalha com a capoeira em Ubá, ensinando a capoeira para diversos públicos, infantil, adolescentes, adultos e idosos.
Professora de capoeira do colégio Losango na educação infantil desde 2016 com a capoeira sendo ministrada dentro currículo da escola, trabalhou no projeto Social Sou capoeira, da secretaria de desenvolvimento social durante 15 anos, proprietária da Studio Senzala desde 2014, idealizadora do projeto Ginga na escola, com o apoio do Concelho Municipal do Patrimônio, idealizadora e professora do projeto social Entrelaços que atende crianças em vulnerabilidade social todo sábado gratuito no espaço da Studio Senzala desde 2021.
Para Mestra Tida capoeira é Arte, luz, amor, respeito, força, união é integração.
Texto fornecido pelo mestre:
Nascido em 04 de abril de 1958 na cidade de Montes Claros (MG), José Maria da Paixão de Souza é filho de Julia Cardoso de Souza e conheceu a capoeira em Belo Horizonte com o lendário Amadeu Martins (Mestre Dunga) em uma roda na Praça da Estação em 1976.
Como trabalhava em ônibus coletivo a noite, seus horários não coincidiam com os horários das aulas do Mestre.
Em 1978 retornou para Montes Claros onde treinava com um grupo amador de capoeira. Nessa época, alguns mestres passaram pela cidade, mas não se firmaram na história de zé Maria. Dessa forma viajava todo final de mês para treinar em Belo Horizonte com o Mestre Dunga.
Em 1979, foi batizado na capoeira e, em 1984, foi graduado a instrutor e começou seu estágio com a
supervisão do Mestre Dunga. Em 30 de agosto de 1985, fundou a Associação de Capoeira Luanda que divulgou a capoeira em todo norte de Minas Gerais.
Nos anos 2000, a convite de algumas cidades, criou campus de extensão com as atividades da capoeira nas cidades de Curvelo, Mirabela, Capitão Éneas, Claros dos Poções e o Distrito de Água Boa. Em 2007, foi à Suíça a
convite de seu aluno Mestre Lagartixa onde ministrou aulas de capoeira prática e fundamentos, realizou 52 batizados, promoções a monitor, instrutor, professor, Contra Mestres e Mestres.
Atualmente, com 38 anos de carreira como professor de capoeira continua ensinando e participando de eventos. E, há 23 anos, mantém a roda de capoeira do Mercado Popular da cidade.
Como coreógrafo, realizou dezenas de apresentações de manifestações ligadas à cultura da capoeira como o maculelê, dança afro, capoeira do amor, samba de roda e puxada de rede, emboscada nas matas e da peça teatral “A morte da capoeira com o jogo de navalha”. Como ator,
participou da peça “A formiga que queria ser rainha e virou princesa” que conta a história do surgimento da cidade de Montes Claros. Desfilou nas principais escolas de samba e blocos de carnavais como ritmista e passista. Estudou violão e bateria no conservatório de música Lorenzo Fernandes, participou de várias edições do Festivale – Encontro de Arte e Cultura do Vale do
Jequitinhonha, estudou percussão em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Como músico tocou em várias bandas em Montes Claros e Norte de Minas. Foi o precursor da lambada nos anos 90 ministrando aulas e participando de concurso como dançarino e júri. Nessa época se aperfeiçoou nas modalidades de dança aeróbica, ginástica aeróbica, dança afro brasileira, swing afro baiano, jazz afro, samba de gafieira, bolero, valsa, tango, fox trot americano, forró, salsa e merengue.
Texto fornecido pela mestra
Semiramis Maloni Marques Ribeiro, a Mestra Codorna, nasceu em 01/05/1973, na cidade de Belo Horizonte – MG.
Iniciada na capoeira em 1992, após ser convidada pelo namorado, o então aluno Legalzinho, para ingressar no Grupo de Capoeira Porto de Minas, passando a treinar com o Graduado Juran e logo em seguida passou a treinar com o Graduado Calango, que na época era um dos alunos mais antigos do então Contramestre Museu do Grupo Capoeira Artes das Gerais.
Após casar-se com Legalzinho em1994, passaram a residir na cidade de São José da Lapa.
Em 1997 o seu professor, o Calango, e o Professor Carlinhos Aidê, do Rio de Janeiro, uniram-se e
fundaram juntos o Grupo Rio-Minas – Centro Cultural Rio Minas Capoeira e Artes, no qual Codorna participou ativamente.
Codorna inciou o primeiro trabalho com a capoeira no ano 2000, no salão paroquial da igreja católica do seu bairro.
No ano de 2002, com a reinauguram o grupo de capoeira com o nome de “Nova Escola Geração Rio Minas”, cuja sigla é NEGRIM, Codorna passa a treinar definitivamente com o Professor Legalzinho.
É uma das idealizadoras do Movimento Feminino de Capoeira da Região Metropolitana de Belo Horizonte, criado em 2012.
Foi formada Mestra de Capoeira no ano de 2022 pelo Mestre Legalzinho e atualmente o apoia na coordenação dos trabalhos do Grupo Capoeira Negrim no Estado de Minas Gerais.
Texto fornecido pelo mestre:
Mestre Raposa, 63 anos, é natural de São João del-Rei/MG. Iniciou na capoeiragem ainda na infância com seu irmão, junto do qual, ao longo da juventude, foi ativo no movimento da capoeira de rua, realizando rodas pela cidade, principalmente durante o carnaval, sendo resistência nos tempos em que a capoeira ainda era alvo de perseguições policiais.
Na década de 90, começou a oferecer treinos no quintal de sua casa, onde foi feita a “Senzala” – estrutura de bambu e chão batido construída no propósito do desenvolvimento da prática da capoeira – por onde passaram principalmente crianças e jovens, não só da comunidade, mas também de outros bairros.
Nesse tempo Mestre Raposa chegou a acolher no espaço e em sua casa alunos em situação de vulnerabilidade. No decorrer da vida, pôde pesquisar capoeira junto ao Mestre João do Pulo e de Beto Poeira no Rio de Janeiro, bem como nas rodas de rua de Duque de Caxias (RJ) e da Praça da Sé em São Paulo.
Além dos estudos na capoeira, Mestre Raposa morou por sete anos em um mosteiro budista, onde teve contato com as artes marciais Karatê Kung Fu.
Aos 35 anos de idade, juntou-se ao projeto Ginga Mineira em São João del-Rei, no qual permaneceu por cinco anos. Nesse período, realizou dois eventos de batizado que contaram com a presença do Grão Mestre Dunga – grande referência de Belo Horizonte.
Desde os anos 2000, idealiza o grupo Filhos de Joana D’arc, o qual começou em parceria com mais dois professores de artes marciais chinesa, um de Thai Chi Chuan e outro de Kung Fu.
Juntos, fundaram a Associação Brasil-China, a qual oferecia aulas de capoeira, Thai Chi Chuan e Kung Fu na comunidade do Bomfim. Nesse contexto, foi realizado dois grandes eventos de batizado para as dezenas de alunos que eram atendidos pelo projeto. As práticas ministradas envolviam a capoeiragem, o maculelê e suas musicalidades.
Mestre Raposa é considerado um dos percussores e difusores da capoeira em São João del-Rei, sendo o mestre mais antigo ainda em atividade na cidade. Nesses anos de atuação, levou vivências para diversas escolas,participou de inúmeras oficinas, apresentações, cortejo e rodas de capoeira na região. Com grande destaque, participou da “Marcha Zumbi contra o racismo, pela igualdade e a vida” que aconteceu em Brasília no ano de 1995 em memória aos 300 anos de morte de ZumbidosPalmares.
Atualmente segue com o grupo Filhos de Joana D’arc, oferecendo aulas semanais para todas as idades, de forma gratuita, dando continuidade no seu trabalho social nas periferias da cidade.
Texto fornecido pelo mestre
Iniciou a capoeira aos 16 anos de idade, atualmente com 60 anos.
Mestre de capoeira, formado em 2001 pelo Grão Mestre Corisco da ASCAU capoeira.
Fundador do grupo ASCCAP capoeira em 1996.
Conhecedor da história da capoeira em Uberlândia desde as primeiras manifestações em 1977.
Responsável pela criação do Conselho de Mestrandos, onde deliberaram várias questões, inclusive o sistema de graduações contendo 16 cordas.
Vive exclusivamente da Capoeira desde 1999.
Instrutor de capoeira nos Naicas por 10 anos.
Instrutor de capoeira na FADESOM há 8 anos.
Membro do Conselho de Mestres do Triângulo e Alto Paranaíba.
Representante titular da capoeira no COMPIR — Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial.
Responsável pela tradicional “Roda de Capoeira da Getúlio Vargas”, há mais de 25 anos ininterruptos.
Responsável pela tradicional “Roda do Dia do Capoeirista” há mais de 20 anos.
Um dos pioneiros em projetos desenvolvidos em escolas públicas na cidade.
Produtor do projeto “Pmic — Detentores dos Saberes — Capoeira Udi”.
Participou do “10º Mega Encontro Internacional de Capoeira” como palestrante, contando a história da capoeira em Uberlândia.
Formou diversos professores, contramestres, mestrandos e 01 mestre de capoeira durante sua trajetória.
Texto fornecido pela mestra:
Me nome é RUTE PEREIRA DOS SANTOS, natural do Distrito de Martinésia, me mudei ainda criança para Uberlandia-MG, iniciei na Capoeira em 1986 com o Grão Mestre Corisco com o qual tive uma união estável até o ano de 2002 com o seu falecimento vitima de um câncer.
Em 2001 recebi do Grão Mestre Corisco o titulo e a corda vermelha de Mestre, desde 2002 estou supervisionando e coordenando a ASSOCIAÇÃO DA CAPOEIRA DE UBERLANDIA – ASCAU onde atuo na atual diretoria como presidenta, coordeno mais de 10 cidades dos estados de Minas Gerais e Goiás, sou realizadora desde 2020 do
PROJETO NOS PASSOS DA MIUDA, com verbas recebidas da Prefeitura Municipal de Uberlandia e Secretaria de Cultura e Turismo. Realizadora da Comenda Grão Mestre
Corisco em parceria com o CONCATRIR, participo e realizo projetos, oficinas, Batizados e trocas de Cordas, encontros, campeonatos e palestras direcionadas a Capoeira.
Texto fornecido pelo mestre:
No ano de 1972 começou na capoeira. Em 1984 foi ser professor de Capoeira, formado pelo Mestre Zumbi. No ano de 1994, formou-se Mestre de capoeira. Com vários títulos, e ministrou vários cursos . Foi aluno do Mestre Dunga. Faz trabalho como Mestre de capoeira há mais de 20 anos na cidade de ibiá, com mais de 250 carentes.
Contribuiu para o fortalecimento coletivo e desenvolvimento da valorização da capoeira.
Atuando no município de Ibiá com um projeto se dispõe a ver as pessoas envolvidas como um todo, não se limitando apenas a enxergá-lo como uma pessoa que somente tenha uma performance ou rendimento, mas também observar suas emoções, afetividade e prazer pela vida, socialização e valorização da cultural brasileira sempre representando o município de Ibiá em Encontros Regionais de capoeira, trabalhos em escolas do
município de Ibiá, trabalhos realizados na Apae de Ibiá e aulas ministradas.
Sempre participa de encontros e festivais de Capoeira. Realizou em outubro de 2015, o Encontro Nacional de Capoeira, na cidade de Ibiá. Recebeu Moção de Aplauso da Câmara de Vereadores da cidade de Ibiá, no ano de 2023, pelo trabalho de capoeira desenvolvido na cidade de Ibiá. Participou de vários encontros de capoeira,
promovidos pelo IPHAN.
Texto fornecido pelo mestre:
Adão Nunes Borges, nascido em Juazeiro, Bahia, em 21 de fevereiro de 1952. Sua família veio em embarcações conhecidas como vapores para Pirapora, através do Rio São Francisco.
Filho de Teresinha da Silva Borges e Antônio Nunes Borges, é casado com Ana Lúcia de Fátima Galiza Borges e pai de Luciana Galiza Borges (Mestra Lu Baobá), Luana Galiza Borges e Lucimara Galiza Borges. Tem seis netos, todos capoeiristas.
Ainda menino, era encantado com a capoeira e, como toda criança, aprendeu alguns passos nas ruas de Juazeiro. Em 1968, ao chegar a Pirapora, começou a brincar e ensinar aos colegas, nas ruas do bairro Santo Antônio, os passos que havia aprendido em sua terra natal.
Butica, Nivaldo, Elias, Jorge, Lica, Paulo China, Zé Doutor, Macaquinha e outros treinavam e brincavam diariamente na Praça Santo Antônio, no campo (hoje Campo Comercial) e, em especial, na Rua Diamantina.
Em 1969, chegou a Pirapora uma equipe da Marinha para exames de prestação do serviço militar. Junto à equipe vieram dois sargentos capoeiristas, que começaram a ensinar aos garotos novos movimentos e a musicalidade da capoeira, ali mesmo, às margens do Velho Chico.
Em 1971, voltou à Bahia, para a Base Naval de Aratu, em Salvador, onde prestou o serviço militar obrigatório. Lá, escolheu a capoeira e treinou com o Mestre 101 durante três anos.
Ao retornar a Pirapora, continuou com seus amigos as brincadeiras de capoeira na Praça Santo Antônio, no atual Campo Comercial e nas ruas. Participavam de blocos de carnaval e se apresentavam sempre que convidados.
Em 1973, foi trabalhar em São Paulo (SP), onde treinou com o Mestre Zé Pantera Negra, angoleiro e aluno do Mestre Canjiquinha.
Em 1981, retornou a Pirapora e passou a treinar em uma das primeiras academias da cidade, com os Mestres Zezão e Mazim, do Grupo Arte Negra Quilombo. Também passou a ministrar aulas gratuitas no quintal de sua casa, no chão de terra batida, na Rua Ouro Preto, no bairro Santo Antônio.
Em 1985, começou a ministrar aulas no Clube dos Marítimos e foi formado Mestre em 1991, em Juazeiro (BA), sua terra natal.
Hoje, aos 72 anos de idade, permanece em plena atividade, com 54 anos dedicados à capoeira. Já foi homenageado em diversos eventos em várias cidades, inclusive recebendo o título de Doutor Honoris Causa pela UBRACAMITO.
Atualmente, ministra aulas junto com sua filha, Mestra Lu Baobá, na Associação de Capoeira AMAÊ BERIMBARTE, criada por eles no bairro São Geraldo, e também no Projeto de Capoeira Tamboril, pela Biblioteca Comunitária Tamboril.
Além de Mestre de capoeira, é praticante de jiu-jitsu e musculação.
Texto fornecido pelo mestre:
Luiz Cláudio Barbosa da Silva, conhecido posteriormente no cenário capoeirista como Mestre Mendonça, nasceu em 1961, na cidade de Ibirataia, Bahia.
Com apenas 1 ano de idade, mudou-se para a cidade de Joaíma, Minas Gerais. Aos 16 anos, transferiu-se para a capital mineira, onde participou de várias rodas de capoeira na Praça Sete. Em uma dessas rodas, conheceu o Grão-Mestre Dunga e o Mestre Donizete Lemos, que o convidou para treinar, iniciando sua trajetória na capoeira no ano de 1980.
Em 1987, mudou-se para Jequitinhonha, Minas Gerais, onde começou a ministrar aulas no Sindicato Rural da cidade.
Atualmente, continua praticando a arte da capoeira e atua como artesão na cidade de Jequitinhonha, Minas Gerais.
Texto fornecido pela mestra:
Minha carreira na capoeira foi marcada por uma dedicação incansável ao ensino e à prática dessa arte. O foco na inclusão social sempre esteve no centro do meu trabalho. Ingressei na capoeira com a missão de levar suas riquezas não apenas àqueles que já tinham acesso a ela, mas também àqueles que estavam à margem da sociedade.
Nesse caminho, trabalhei com diversos públicos, incluindo pessoas autistas e pessoas com síndrome de Down, demonstrando que a capoeira é uma poderosa forma de inclusão, proporcionando não apenas benefícios físicos, mas também emocionais e sociais para todos os participantes. A inclusão de todos, independentemente de suas habilidades, é um dos princípios fundamentais que norteiam meu trabalho.
Em agosto de 2013, realizei um evento marcante em minha cidade: o Encontro Feminino de Capoeira, que reuniu capoeiristas de várias cidades e estados brasileiros. Foi nesse evento que recebi a corda marrom/vermelha, uma distinção que marcou uma etapa significativa em minha jornada na capoeira.
Minha trajetória também inclui a participação em cursos, workshops e palestras, com o objetivo de ampliar meus conhecimentos e transmiti-los aos meus alunos. Recebo convites para participar de eventos e movimentos femininos, onde posso compartilhar meu saber e também aprender com outros mestres e mestras.
Minha visão é que a capoeira é uma ferramenta poderosa para promover a inclusão, celebrar a cultura afro-brasileira e oferecer oportunidades de crescimento e desenvolvimento para todas as pessoas.
Texto fornecido pelo mestre:
Trabalhou na zona rural até os 16 anos de idade
● Mestre de Capoeira por 52 anos.
● Comissário de Menor por 10 anos, como voluntário.
● Técnico em Contabilidade por 9 anos.
● Gestor da Salvaguarda de Capoeira de Minas Gerais representando a Zona da
Mata por 2 anos.
● Novamente eleito para representar a Capoeira da Zona da Mata a partir de
2024, juntamente com a Mestre Chaveirinho e Mestre Tida.
● Juiz de paz em Leopoldina desde o ano de 2000. Sem salário fixo, ganha por
cada casamento feito.
● Fez o filme “Capoeira a Arte da Liberdade”, que conta a história de Leopoldina,
do Mestre Dimas, da Capoeira no mundo geral e durante a era da Escravidão
no Brasil. Filme cultural, esportivo, educativo e capoeirístico.
● Foi técnico da Defensoria Pública de Leopoldina por 30 anos, onde contribuiu
muito com a população de Leopoldina, Argirita e Recreio. Cumprindo bem o
dever de sua função.
● Hoje está aposentado.
● Participou do III Congresso Internacional da Capoeira Angola em Washington
DC – Estados Unidos do Mestre Cobra Mansa.
● Participou de vários eventos, batizados, vários encontros e dá aulas de capoeira
até hoje.
● Faz parte da Associação de Capoeira Cobrinha Leopoldinense.
Texto fornecido pelo mestre:
Carlos Alberto Pereira, o Mestre Macaco, nasceu em Salvador, Bahia, em 26 de abril de 1955, filho de Francisco Paulo Pereira e Maura Rodrigues Pereira, em uma família de 12 irmãos.
Começou a jogar capoeira aos 10 anos de idade nas ruas de Salvador, e logo foi para a Academia de uns dos maiores Mestre de Capoeira da Bahia, o Mestre Caiçara, aquele que considera seu padrinho na capoeira. E como todo bom capoeirista, ganhou logo um apelido nas rodas: foi batizado como Macaco, por conta da disposição, agilidade e energia, apelido este devidamente aprovado por Mestre Caiçara, este um amigo de longa data de sua família e que lhe tratava como um filho.
Muito novo, Macaco fazia sucesso nos shows de capoeira promovidos na cidade de Salvador pelo grupo Caiçara, grupo do qual era o xodó.
Aos 14 anos, junto com os seus amigos Mestres Índio, De Mola, Gaje, Dois de Ouros, Cebolinha e Macaco Preto, ajudou a criar um dos maiores, melhores e mais respeitados grupos de Capoeira de Salvador, o Grupo do Mercado Modelo, grupo este que marcou fama na cidade.
Aos 17 anos, decidido a tornar a capoeira seu meio de vida, saiu de Salvador para divulgar e ensinar a Capoeira em outros estados, principalmente Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Com os pés na estrada, em 1972 teve uma pequena passagem de três dias por Governador Valadares, onde fez show com os seus amigos De Mola, Cebolinha e Macaco Preto (Santana).
Seguindo viagem, foi para BH, onde ajudou a criar aos domingos, a roda de capoeira na Praça da Liberdade. Nessa época, ficou três meses em BH fazendo shows nas Faculdades de Medicina, Engenharia, Filosofia e Farmácia através dos seus diretórios acadêmicos. Posteriormente foi para São Paulo, onde foi um dos fundadores da Roda de Capoeira da Praça da República, tendo dado aulas de capoeira na cidade de Limeira.
Posteriormente, foi para o Rio de Janeiro, onde fazia shows nas praças da cidade. Aos sábados, estava sempre na Roda de Capoeira do Grupo Senzala, o melhor e respeitado grupo de Capoeira do Rio, sendo que hoje tem alunos espalhados quase pelo mundo todo divulgando a capoeira.
Em 1974 regressou para Salvador, sendo convidado para fazer parte do Grupo Folclórico Olodum-Maré, do amigo Mestre Camisa. O grupo havia sido convidado para representar o Brasil na abertura da Copa do Mundo da Alemanha, porém, por questões de documentação, Mestre Macaco não pode ir. O grupo foi sem ele.
Mas nesse mesmo ano considera que as portas se abriram para ele, pois recebeu o convite que viria a mudar sua vida. Estava em Salvador e, considera que pela mão de Deus, foi convidado para vir dar aulas em Governador Valadares. Fernando Rios e Ataíde, moradores de GV e adeptos da capoeira, não tinham tempo para ministrar aulas, e como havia muitos interessados na cidade, foram a Salvador para buscar uma pessoa aqui pudesse ensinar. Mestre Macaco foi indicado por conhecidos, e quando contactado, aceitou de pronto. Naquele momento não sabia que a mão de Deus estava guiando seus passos.
O convite chegou na hora certa e mudou sua vida. Ao aceitar, não cogitava que aqui em GV iria se realizar profissionalmente, fazer um enorme círculo de amizades e constituir família. A cidade lhe recebeu de braços abertos.
Ao chegar em Valadares, fez amizade com um conterrâneo chamado Cal, e junto com Ataíde, Dilsinho, Fernando Rios e o grande e saudoso músico Brito, conseguiram um espaço na Rua Bárbara Heliodora, nº 761, quase esquina com a rua São Paulo. Ali, Mestre Macaco fundou a Associação de Capoeira Senhor do Bonfim, assim como seu grupo Folclórico, dando início a uma trajetória que marcou época em Governador Valadares.
Na década de 70 participou de muitas Feiras da Paz, que na época eram coordenadas pelas as Primeiras Damas da cidade. Assim, trabalhou nos eventos filantrópicos com Dona Lílis de Carvalho Gomes, esposa do prefeito Dr. Hermínio Gomes, e com a Sra. ….??????, esposa do prefeito Raimundo Resende.
Nesta época, a academia onde funcionava a Associação de Capoeira Senhor do Bonfim, já contava com cerca de 150 alunos matriculados. As aulas aconteciam a partir das 5:30 da manhã e iam até as 10 horas da noite, sendo que no início lecionava sozinho. Mais tarde passou a dividir as turmas com seu amigo Mestre Santana, capoeirista baiano que também teve uma passagem por Governador Valadares.
Era sempre chamado por alunos e alunas do Colégio Ibituruna para participar de apresentações de capoeira e de Danças Folclóricas afro-baianas, como o maculelê, a puxada de rede e o maracatu. Estas apresentações ocorriam como parte dos jogos escolares internos daquela instituição (JECI) e tinham uma entusiasta na pessoa da Professora Dona Ruth Soares, sendo que as turmas coordenadas por Mestre Macaco ganharam vários prêmios.
Em outras escolas da cidade, era sempre convidado para ensinar aos alunos algumas peculiaridades do folclore da Bahia ligados a capoeira e às danças afro-baianas, sendo que os alunos adoravam as apresentações. Na mesma época, fundou a Roda de Capoeira da Praça Serra Lima, onde aos domingos se realizava a Feira de Artesanato, que se tornou uma diversão para a população de Valadares.
Participou de vários carnavais, desfilando nas escolas de samba da cidade, mas era folião ativo no Bloco Kaaba, sendo que após os desfiles nas ruas e avenidas de GV, partia com os demais integrantes do Kaaba para os bailes de carnaval do Minas Clube, Garfo Clube e Ilusão.
Aqui em Governador Valadares casou-se com Margarida de Melo, de tradicional família valadarense, e com ela teve três filhas, Taryna Rodrigues Pereira, Akyra Rodrigues de Oliveira e Karla Rodrigues Pereira, filhas amorosas, que considera seus tesouros.
Em 1983, já se sentindo um valadarense nato, foi para o Estados Unidos com a ideia de passar 2 anos e regressar, mas acabou ficando por lá. Em Junho de 2023 irá completar 40 anos de América, mas sempre vindo a Governador Valadares para visitar a família e os amigos. Apesar de ter muitos familiares em Salvador, sua primeira parada no Brasil é sempre em Governador Valadares, cidade que adotou como sua, e que por ela foi adotado.
Nos EUA, começou, como muitos bons valadarenses, lavando pratos em restaurantes, passando rapidamente para ajudante de garçom, garçom, Capitão dos Garçons, Supervisor, Gerente do Nigth Club e Gerente dos Bares no Nevele Hotel, tendo ali trabalhado por 27 anos consecutivos, até o dia em que o hotel fechou as portas.
Além das três filhas que residem no Brasil, teve 7 filhos que moram com ele nos Estados Unidos, Carlos Alberto Pereira Jr, Caroline Quick, Francisco Pereira, Joseph Pereira, Thomas Pereira, Raphael Pereira e Timmy Pereira. Seus dez filhos lhe deram duas netas que residem em Governador Valadares, Beatriz e Lisa, e cinco netos que residem nos EUA, Akira, Athena, Carlos III, Geovanni e Jiraya.
Aposentou-se nos EUA, mas continua trabalhando, sendo que vem todos anos ao Brasil, em especial a Governador Valadares, onde assiste jogos de uma outra paixão sua, o Clube Atlético Mineiro.
Texto fornecido pelo mestre:
MAIS QUE MESTRE: UM PIONEIRO DA CAPOEIRA
Biografia de Donizete Lemos Gomes
Arquivo pessoal Mestre Donizete
Nascimento e infância
Donizete Gomes Lemos nasceu em 30 de agosto de 1955, em Vitória da Conquista, Bahia. Filho de um tropeiro e de uma doceira, foi o segundo de seis irmãos em uma família que vivia da produção e venda de doces.
Em 1972, devido à falta de oportunidades educacionais na região, mudou-se para Belo Horizonte, Minas Gerais, em busca de melhores condições para continuar seus estudos.
Início na capoeira
O interesse de Donizete pela capoeira começou ainda na infância, na década de 1960, quando residia em Vitória da Conquista. Encantado pelo som do berimbau, começou a treinar com um vizinho chamado Deodato, que ensinava capoeira nas ruas.
Trajetória na capoeira
Já em Belo Horizonte, Donizete conheceu o Mestre Dunga e o Mestre Paulão, optando por treinar com o Mestre Dunga. Ao perceber seu talento e dedicação, Mestre Dunga o convidou para se tornar seu parceiro de treino, dispensando-o da mensalidade.
A capoeira praticada por Mestre Dunga era marcada por seu caráter competitivo e intenso, refletindo o contexto das lutas de rua da época.
Donizete rapidamente se destacou, participando e testemunhando diversos desafios entre diferentes modalidades de luta, como capoeira contra karatê, judô e boxe. Esses encontros aconteciam no chamado “Terreirão”, um espaço de treinamento em Belo Horizonte que, embora não fosse uma academia formal, funcionava como um importante centro de prática da capoeira.
Na década de 1980, Donizete foi um dos responsáveis por estabelecer a tradicional roda de capoeira da Praça Sete, em Belo Horizonte, que se tornaria uma das mais importantes de Minas Gerais.
Também teve papel fundamental na expansão da capoeira para diversas cidades do estado, como Montes Claros, Betim, Contagem, Governador Valadares e cidades do Vale do Jequitinhonha.
Em 1982, viajou pelo Brasil durante dois anos, apresentando a capoeira em regiões onde a arte ainda não era conhecida, contribuindo para sua difusão e reconhecimento.
Fundação de grupos e atuação institucional
Em 1987, fundou a Associação de Capoeira Berimbau de Prata, em Belo Horizonte. Na década de 1990, criou o Grupo Forte de Minas, em Governador Valadares.
Também teve atuação importante na organização institucional da capoeira, colaborando na criação da Associação Brasileira de Capoeira (ABRACAP), em São Paulo, onde exerceu o cargo de vice-presidente nacional.
Além disso, contribuiu para a criação e fortalecimento da Federação Mineira de Capoeira, da qual foi presidente por três mandatos e permanece como uma das principais lideranças.
Contribuições e reconhecimentos
Seu trabalho pioneiro foi amplamente reconhecido por diversas instituições.
Em 2012, recebeu o título de Cidadão Honorário de Governador Valadares, concedido pela Câmara Municipal, pelos relevantes serviços prestados à capoeira.
Também recebeu o título de Cidadão Honorário de Medina, pelo seu papel na introdução e desenvolvimento da capoeira no Vale do Jequitinhonha, onde foi um dos primeiros mestres a difundir a arte na década de 1990.
O Governo da Bahia também o homenageou como um dos capoeiristas mais antigos e importantes do sudoeste baiano.
Entre 1999 e 2000, foi reconhecido como o maior capoeirista de Minas Gerais da década de 1990 pela Enciclopédia Virtual da Microsoft, destacando sua relevância no cenário nacional.
Carreira profissional e política
Além de sua trajetória na capoeira, Donizete também teve atuação na vida pública. Foi vereador, vice-prefeito e prefeito da cidade de Joaíma, no Vale do Jequitinhonha.
Formou-se em Engenharia Civil e também atuou como arquiteto, segurança profissional e garimpeiro.
Legado
Mestre Donizete Gomes Lemos é uma figura fundamental na história da capoeira em Minas Gerais e no Brasil.
Seu legado é marcado pela introdução e popularização da capoeira em diversas regiões, pela formação de inúmeros praticantes e mestres, e por sua contribuição para a organização institucional da capoeira.
Sua trajetória é referência para gerações de capoeiristas, sendo reconhecido como um exemplo de dedicação, resistência e compromisso com a arte e com sua comunidade.
Texto fornecido pelo mestre:
Biografia e Trajetória
Grão-Mestre Régis
Reginaldo Santana
Reginaldo Santana, conhecido no cenário da capoeira como Mestre Régis, nasceu em 27 de junho de 1957, na cidade de Itabuna, Bahia. É filho de Lindaura Gonçalves de Almeida e Renato Santana. Foi contemporâneo de grandes referências da capoeira, como Mestre Bimba e Mestre Pastinha.
Seu primeiro contato com a capoeira ocorreu por meio de seu irmão mais velho, José Augusto, que treinava na academia de Narciso, aluno de Mestre Antônio Rodrigues. Ao acompanhar o irmão, Reginaldo despertou o interesse pela capoeira e iniciou seu aprendizado. Posteriormente, seu irmão afastou-se da prática e Narciso mudou-se para Salvador.
Em 1965, aos oito anos de idade, ingressou oficialmente na Associação de Capoeira Cultura Física, sob orientação do Mestre Antônio Rodrigues, no bairro São Caetano, no Clube Social São Caetano, e posteriormente no Estádio Municipal de Itabuna, conhecido como “Itabunão”. Nesse período, conheceu Miguel Machado, que também se tornaria uma importante referência em sua trajetória.
Em 1974, formou-se Professor de Capoeira, recebendo sua graduação das mãos de seu mestre, Antônio Rodrigues.
Mudança para o Sudeste e consolidação como mestre
Em 1976, aos 19 anos, mudou-se para o Distrito Federal e, no mesmo ano, transferiu-se para Ribeirão Preto, São Paulo. Nessa cidade, deu continuidade à sua formação e atuação na academia Oxumaré, administrada por Mestre Miguel Machado, onde passou a ministrar aulas e aprofundar sua prática.
Participou de inúmeros eventos formais e rodas tradicionais, como a famosa roda da Praça da República, onde teve contato com grandes nomes da capoeira, entre eles Suassuna, Gladson, Joel, Silvestre, Belisco, Pessoa, Nonato, Ananias, Valdenor, Tarzan, Paulo Gomes e Zumbi.
Nesse contexto, conheceu também Mestre Canhão (Augusto Salvador Brito), um dos formados de Mestre Bimba e importante representante da Associação K’poeira, com quem compartilhou experiências marcantes.
Títulos e conquistas
Mestre Régis conquistou diversos títulos expressivos ao longo de sua carreira competitiva, destacando-se como um dos maiores campeões da capoeira brasileira:
1979 – Campeão Paulista de Capoeira
1979 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1980 – Campeão Paulista de Capoeira
1980 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1980 – Campeão Copa Senna (Categoria Peso Pesado e Absoluto)
1980 – Campeão Copa Brasil–EUA
1980 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1981 – Campeão Paulista de Capoeira
1981 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1981 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1982 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1982 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1983 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1983 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1983 – Campeão do Troféu Antônio Carlos Magalhães
1984 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1984 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1985 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1985 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1986 – Campeão Brasileiro de Capoeira (Estilo Combate)
1986 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1987 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
1988 – Campeão da Grande Roda Brasileira de Capoeira
Fundação de grupos e expansão da capoeira
Em 1978, foi um dos fundadores do Grupo Cativeiro, em Ribeirão Preto, São Paulo.
Ainda em 1978, mudou-se para Passos, Minas Gerais, onde fundou o Grupo de Capoeira Nosso Senhor do Bonfim, atualmente denominado Associação de Capoeira Nosso Senhor do Bonfim (ACNSB), que se expandiu significativamente ao longo das décadas.
Hoje, existem representantes da associação em mais de cem cidades, em diversos estados brasileiros e também no exterior.
Graduação como mestre e grão-mestre
Em 1986, foi oficialmente reconhecido como Mestre de Capoeira.
Em 21 de abril de 2012, recebeu o título de Grão-Mestre, em cerimônia realizada na cidade de Cananéia (SP), com a presença de diversos mestres de diferentes estados brasileiros, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição à capoeira.
Em 13 de abril de 2024, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Faculdade Ordem dos Capelães do Brasil, na cidade de São Paulo.
Atuação profissional e acadêmica
Além de sua dedicação à capoeira, Mestre Régis é Policial Militar da reserva, tendo servido por quase 30 anos.
Possui formação complementar, incluindo:
Curso de Ginástica Brasileira — Universidade Federal do Rio de Janeiro (1982)
Também realizou diversos trabalhos voluntários no Sindicato Rural de Passos, atuando no acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade social e jovens em conflito com a lei.
Legado
Grão-Mestre Régis é uma das figuras mais importantes da capoeira contemporânea, tendo contribuído decisivamente para sua expansão, organização e reconhecimento no Brasil e no exterior.
Sua trajetória é marcada por conquistas esportivas, formação de mestres e discípulos e dedicação à preservação e difusão da capoeira.
Como ele próprio afirma:
“A capoeira é um esporte que mexe com todo o corpo e a mente.”
— Reginaldo Santana
Texto fornecido pelo mestre:
MESTRE PELOTA – GRUPO GINGARTE – MG
Carlos Alberto de Souza, conhecido como Mestre Pelota, é uma lenda viva da capoeira.
Hoje, aos 66 anos de idade, dedicou 54 anos, de forma ininterrupta, à prática e ao ensino dessa arte pela qual é profundamente apaixonado. É um ativo participante das rodas de Belo Horizonte e do universo da capoeira.
Mestre Pelota iniciou seu aprendizado aos 12 anos de idade, com José Carlos Duarte, dando início à sua caminhada na capoeira. Desde então, passou a dedicar sua vida a essa arte. Atualmente, Mestre José Carlos reside no Espírito Santo.
Após esse período inicial, deu continuidade à sua formação com Demar, Lissinho, Nem e Rubinho, já como aluno graduado. Posteriormente, junto aos Mestres Tocha, Escorpião e Caveira, participou da formação do Grupo Raça de Minas. Em seguida, fundou seu próprio grupo, chamado Berimbau de Ouro, na década de 1980. Ao descobrir que já existia outro grupo com o mesmo nome, decidiu renomeá-lo para Associação de Capoeira Lotopé e, posteriormente, para Associação de Capoeira Gingarte, onde desenvolve suas atividades até hoje.
Ao longo de sua trajetória na capoeira, conheceu e conviveu com renomados mestres, como Mestre Dunga, Mestre Toninho Cavaliere — que se tornou um amigo muito próximo — Mestre Noventa, Mestre Luiz Mineiro e Mestre Macaco da Ginga, entre outros, participando de diversas rodas, encontros, vivências e eventos dentro e fora de Minas Gerais.
Nessa caminhada, também teve a oportunidade de conhecer importantes nomes da capoeira brasileira, como Mestre Suassuna, Mestre Nem, Mestre Camisa, Mestre Peixinho, Mestre Cobra Mansa, Mestre Cantador, Mestre Cebolinha, Mestre Pacato, entre muitos outros.
Atualmente, Mestre Pelota desenvolve um importante trabalho social nos bairros Sagrada Família e Casa Branca, em parceria com o Mestre Tocha (Nelson Teixeira), por meio do Grupo Gingarte-MG. Há mais de três décadas, realiza ações sociais por meio da capoeira, transmitindo seus valores e ensinamentos a crianças, jovens, adultos e pessoas da melhor idade.
Sem apoio institucional, sobrevive por meio de diversos trabalhos, como pintor, pedreiro e artesão, entre outros, que, no entanto, não lhe garantem plenamente a segurança e a dignidade compatíveis com sua trajetória e sua contribuição à capoeira.
Assim como Mestre Pelota, muitos mestres e capoeiristas foram e continuam sendo esquecidos e negligenciados pelo poder público e, por vezes, pela própria comunidade, incluindo alunos. Ainda assim, são reconhecidos por aqueles que compreendem o verdadeiro valor de sua contribuição, sendo reverenciados como grandes mestres de uma arte única: a capoeira.
Essa é uma realidade marcada por contrastes. O abandono de muitos mestres faz parte da própria história da capoeira — uma realidade triste para aqueles que carregam tanta sabedoria e generosidade, compartilhando seus conhecimentos com dedicação e um sorriso no rosto, apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas para manter a capoeira viva.
A homenagem deve ser feita em vida.
Respeito à capoeira e aos seus mestres.
Texto fornecido pelo mestre:
Mestre Sena – Grupo Filhos do Bonfim
Antônio Carlos Sena, nascido em 17 de maio de 1959, na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais, é filho de João Alves Sena e Manuela Ferreira Sena. Hoje reconhecido como Mestre Sena, iniciou sua trajetória na capoeira no ano de 1975, sob orientação do Mestre Cidão, em sua cidade natal.
Com a mudança do Mestre Cidão para outra cidade, Sena assumiu a academia ainda como aluno, mesmo sem ter recebido graduação formal na capoeira. Posteriormente, conheceu o Mestre Reginaldo Santana, capoeirista baiano já reconhecido nacionalmente, que o graduou ao longo de sua formação e que, até hoje, participa ativamente dos trabalhos realizados por Mestre Sena.
Em 1982, formou-se na capoeira, recebendo sua graduação das mãos do Mestre Carivaldo. Nesse mesmo ano, fundou o Grupo de Capoeira Filhos do Bonfim, dando início a um importante trabalho de difusão da capoeira.
Desde então, Mestre Sena vem levando a arte da capoeira a crianças, jovens, adultos e idosos, compartilhando seus conhecimentos e formando diversos professores e mestres ao longo de sua trajetória.
Seu trabalho contribuiu para levar o nome do grupo e da cidade de Poços de Caldas para diversas regiões do Brasil, por meio da participação em grandes eventos e da organização de importantes encontros de capoeira na cidade. Em meados de 2001, esses eventos chegaram a reunir mais de 2.000 capoeiristas, além de grandes nomes da capoeira nacional e internacional.
Atualmente, o Grupo Filhos do Bonfim, fundado por Mestre Sena, tem sua sede em Poços de Caldas e conta com mais de 20 filiais distribuídas por cidades dos estados de Minas Gerais e São Paulo.
Mestre Sena tem seu nome registrado na história contemporânea da capoeira e é amplamente reconhecido por onde passa, sendo frequentemente convidado a ministrar aulas, cursos e palestras em eventos.
Aos 65 anos, mantém-se em plena atividade, com vitalidade e dedicação incansável, conquistando respeito, formando amizades e contribuindo continuamente para o fortalecimento e a valorização da capoeira.
Texto fornecido pelo mestre:
Mestre Nelsinho – Grupo Ginga de Capoeira
Nelson Álvaro de Oliveira Barbosa, conhecido na capoeiragem como Mestre Nelsinho, nasceu em 24 de dezembro de 1959, no interior da Bahia, na localidade de Ribeirão do Salto, município de Macarani.
Iniciou sua prática na capoeira no ano de 1975, na cidade de Nanuque, Minas Gerais, sob orientação do professor Marcelino Moreira, que, além de capoeirista, também era praticante de kung fu.
No final de 1976, seu professor mudou-se de Nanuque em busca de aperfeiçoamento nas artes marciais, deixando Mestre Nelsinho e seus colegas sem uma referência direta na capoeira naquele momento.
Em meados de 1979, mudou-se para Belo Horizonte, Minas Gerais, onde cursou Educação Física na Universidade Federal de Minas Gerais, entre os anos de 1981 e 1984. Nesse período, conheceu Ricardo Pena Machado, o Mestre Macaco de Minas, que, além de mestre de capoeira, era professor pós-graduado da Escola de Educação Física da universidade.
Passou então a ser um dos alunos mais dedicados do Mestre Macaco, chegando a treinar três vezes por dia, às segundas, quartas e sextas-feiras. Nos finais de semana, quando não havia apresentações com seu grupo, frequentava as tradicionais rodas de capoeira da Praça Sete, Praça da Liberdade e Praça Santa Tereza, onde construiu importantes amizades dentro da capoeiragem de Belo Horizonte. Muitos desses capoeiristas tornaram-se, posteriormente, mestres reconhecidos, com trabalhos relevantes no Brasil e no exterior.
Em 1982, Mestre Macaco fundou o Grupo Ginga de Capoeira, que funcionou durante muitos anos na Avenida do Contorno, no bairro Lourdes, em Belo Horizonte. Mestre Nelsinho permanece integrante do grupo até hoje, juntamente com o Mestre Agostinho e outros mestres que continuam difundindo a capoeira no Brasil e no exterior.
Em outubro de 1985, retornou a residir em Nanuque e, com autorização do Mestre Macaco, criou uma extensão do grupo, denominada Capoeira Iê Camará – Grupo Ginga. Desde então, passou a divulgar a capoeira mineira em toda a região do nordeste de Minas Gerais, sul da Bahia e norte do Espírito Santo, por meio de aulas, apresentações, shows e atividades culturais em praças, escolas e teatros.
Ao longo de 30 anos, organizou inúmeros encontros interestaduais, batizados e cerimônias de graduação de seus alunos, sendo também responsável por introduzir e consolidar a tradição dos batizados de capoeira em Nanuque e região.
Em 2018, foi convidado a participar de uma cerimônia na cidade de Salvador, Bahia, onde recebeu o prêmio Berimbau de Ouro, concedido na Câmara Municipal de Salvador. A premiação reconhece mestres e agentes culturais que contribuem significativamente para a preservação e disseminação da capoeira.
Atualmente, continua atuando em Nanuque com projetos socioculturais, atendendo principalmente crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.
Além de sua trajetória na capoeira, Mestre Nelsinho atuou como professor de Educação Física na rede estadual de ensino, exercendo dois cargos efetivos em diferentes escolas por aproximadamente 35 anos.
Texto fornecido pelo mestre:
Mestre Paulo Brasa – Capoeira Angola
Paulo Brasa, nascido em 2 de abril de 1948, na cidade de Aracaju, Sergipe, é um dos importantes nomes da Capoeira Angola no Brasil. Atualmente com 75 anos, dedicou sua vida ao aprendizado, à prática e à transmissão dessa arte, sendo precursor da Capoeira Angola na região de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, onde deixou alunos que posteriormente se tornaram mestres e deram continuidade ao seu legado.
Início na capoeira e trajetória no Rio de Janeiro
Mestre Paulo Brasa iniciou sua trajetória na capoeira na década de 1960, na cidade do Rio de Janeiro, sob orientação do Mestre Caixote, que dirigia um grupo folclórico com o qual participou de diversas apresentações em diferentes espaços culturais.
Entre os espetáculos realizados, destaca-se o espetáculo “Calabar”, apresentado em diversos clubes da Zona Sul do Rio de Janeiro, região até então pouco acessível à capoeira.
Durante esse período, ministrou aulas em clubes recreativos da Zona Sul e formou grupos de praticantes, embora muitos tenham seguido outros caminhos posteriormente. Devido ao tempo transcorrido e às condições da época, não há registros fotográficos ou audiovisuais dessas atividades, nem a lembrança precisa dos nomes dos clubes e alunos.
Ainda na década de 1960, frequentava a tradicional roda da Central do Brasil, onde, inicialmente como aprendiz, observava e aprendia com os capoeiristas mais antigos, participando gradualmente do jogo e da musicalidade.
Serviço militar, artesanato e ativismo cultural
Em 1966, ingressou no serviço militar, servindo à Força Aérea Brasileira por três anos, até 1969. Após esse período, retornou ao bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, onde passou a estudar artesanato, dedicando-se principalmente ao entalhe em madeira e pedra.
Em pouco tempo, começou a expor seus trabalhos na tradicional Feira de Arte de Botafogo. Nesse período, também passou a se envolver com discussões políticas e raciais, participando de organizações importantes, como o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), ainda em processo de formação na década de 1970.
Entre 1977 e 1978, dedicou-se intensamente ao ensino da capoeira, ministrando aulas no curso de Danças Afro-brasileiras do SESC/SENAC e participando de apresentações no Teatro Arena Pelourinho.
Roda Livre de Caxias e convivência com grandes mestres
Na década de 1970, mudou-se para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde conheceu o Mestre Barbosa, importante precursor da capoeira na região. Mestre Barbosa ofereceu-lhe espaço para morar em sua academia, onde conviveu com outros capoeiristas que posteriormente se tornaram mestres, como Mestre Cobra Mansa e Mestre Rogério.
Nesse período, também conviveu com nomes importantes como Mestre Jurandir e Mestre Pedrinho de Caxias.
Em 1973, participou da fundação da histórica Roda Livre de Caxias, hoje reconhecida mundialmente, que completou 50 anos de existência em 2023. Na ocasião, Mestre Paulo Brasa foi convidado a participar das celebrações e ministrar uma palestra sobre os primeiros anos da roda e sua fundação.
Mudança para Ouro Preto e contribuição regional
Em 1978, mudou-se para Ouro Preto, motivado pela forte presença histórica da cultura negra na região e pela tradição do artesanato em pedra-sabão.
Com incentivo do Mestre Lua Rasta, conseguiu espaço na antiga Casa do Estudante da Universidade Federal de Ouro Preto, onde passou a ministrar aulas de capoeira e percussão por aproximadamente quatro a cinco anos.
Desse trabalho surgiram alguns dos primeiros capoeiristas da região, entre eles:
Mestre Damião, fundador da Escola de Capoeira Oxalufã, em Mariana
Mestre Batata, que posteriormente integrou o Grupo Cativeiro e fundou seu próprio grupo
Durante esse período, também participou das reuniões do Movimento Negro Unificado em Belo Horizonte e contribuiu com textos sobre questões raciais em um jornal estudantil da universidade, abordando temas relacionados à identidade negra e ao combate ao racismo.
Sua atuação o tornou um dos pioneiros tanto da capoeira quanto do movimento negro na região de Ouro Preto.
Atuação em Belo Horizonte e circulação nacional
Durante suas idas a Belo Horizonte, participou ativamente das rodas da Praça Sete e estabeleceu relações com importantes mestres, como Mestre Dunga, Mestre Negoativo, Mestre Primo e Mestre Mão Branca.
Realizou também apresentações em clubes e casas de espetáculo, ao lado de Mestre Mão Branca e Mestre Cobra Mansa.
Posteriormente, mudou-se para Belo Horizonte, onde continuou ministrando aulas e contribuindo para o fortalecimento da capoeira na cidade.
Ao longo dos anos, viajou por diversas regiões do Brasil, apresentando-se como capoeirista e artesão, além de manter sua atuação no movimento negro. Conviveu com importantes lideranças, como Abdias do Nascimento, participando inclusive das mobilizações relacionadas à preservação da Serra da Barriga e à criação do Memorial Zumbi dos Palmares, em 1983.
Também viveu em Cuiabá, Mato Grosso, e posteriormente retornou ao Rio de Janeiro, onde residiu em Xerém, retomando suas atividades com a Roda Livre de Caxias, o ensino da capoeira e o ativismo cultural.
Período de vulnerabilidade e retomada
Durante a primeira década dos anos 2000, enfrentou um período de grande vulnerabilidade social, vivendo nas ruas do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Nesse período, enfrentou problemas relacionados ao alcoolismo e ao uso de drogas.
Mesmo nessa condição, foi contemplado em 2010 com o prêmio “Iê, Viva Meu Mestre”, concedido pelo IPHAN, em reconhecimento à sua contribuição à capoeira. No entanto, optou por não receber o prêmio naquele momento.
Apesar das dificuldades, manteve vínculos com a capoeira e foi convidado a participar dos aniversários de 35 e 40 anos da Roda Livre de Caxias.
Posteriormente, com apoio do Mestre Cobra Mansa, passou a residir no Kilombo Tenondé, na Bahia, onde conseguiu se recuperar e restabelecer sua saúde, além de obter apoio por meio de programas sociais do governo federal.
Retorno a Ouro Preto e reconhecimento
Com o reencontro com antigos alunos, especialmente Mestre Damião, retornou a Ouro Preto em 2017, reencontrando a comunidade e reconhecendo os frutos de seu trabalho.
Em 2019, voltou definitivamente à cidade, onde reside atualmente, participando de rodas, eventos e atividades culturais.
Como reconhecimento por sua contribuição histórica, recebeu o título de Cidadão Honorário de Ouro Preto, concedido pelo poder público local.
Legado
Mestre Paulo Brasa é reconhecido como um dos pioneiros da Capoeira Angola em Minas Gerais, especialmente nas cidades de Ouro Preto e Mariana.
Seu legado permanece vivo por meio de seus alunos, das rodas que ajudou a fundar e da contribuição decisiva para o fortalecimento da capoeira e da consciência cultural afro-brasileira no país.
Sua trajetória é símbolo de resistência, transmissão de saberes e compromisso com a preservação da Capoeira Angola.
Texto extraído da página projeto girassol capoeira
Mestre Toninho Cavalieri, precursor da capoeira em Minas Gerais.
Nascido em 1938 em Juiz de Fora, começou o primeiro treinos de capoeira (conhecido por pernadas) aos 8 anos na oficina de seu pai.
Em 1969 se muda para BH, e forma sua primeira turma de capoeira na ACM (Associação Cristã de Moços). Seu primeiro aluno em BH foi o mestre Jacaré.
A história dos mineiros praticantes de capoeira certamente, em algum momento, irá se cruzar com a história de mestre Toninho Cavalieri.
Foi ele quem plantou a semente para o início do Grupo Ginga, em sua 1ª turma estava Paulo Batista (mestre Paulão) que posteriormente seria o mestre do fundador de nosso grupo, mestre Macaco.
Mestre Toninho Cavalieri faleceu em 2020, aos 82 anos. Mas deixou um imenso legado para todos nós e para história da capoeira.
Direção
Pedro Aspahan
César Guimarães
Entrevistas
César Guimarães
Produção
Ana Carolina Antunes
Som direto e finalização de som
Leonardo Rosse
Câmera e montagem
Pedro Aspahan
Assistência | bolsistas
Camila Besamat
Giovanna Villefort
Laryssa Gabrielly
Mariana Amador
Gabrieu Augusto
Helena Duarte do Pateo
Mobilização
Mestre Costela
Contramestre Tuchê
Apoio
Estação Ecológica da UFMG
NAV – Núcleo de Antropologia Visual UFMG
Comissão coordenadora da formação
transversal em saberes tradicionais
Luciana de Oliveira | DCS | FAFICH | Presidente
Janaina Barros Silva Viana | EBA
Maria Aparecida Moura | ECI
Maria Auxiliadora Drumond | ICB
Renata Moreira Marquez | EA
Coordenação editorial
André Brasil
Coordenação audiovisual
Pedro Aspahan
Gestão financeira
Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade
Realização
Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais UFMG
www.play.saberestradicionais.org
Escola de Belas Artes UFMG
FAFICH UFMG
PROGRAD | PROEX | UFMG
Coletivo da Salvaguarda da Capoeira em Minas Gerais
IPHAN-MG
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministra da Cultura
Margareth Menezes
Presidente do IPHAN
Leandro Antônio Grass Peixoto
Diretoria do IPHAN
Diretora do Departamento de Planejamento e Administração
Maria Silvia Rossi
Diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial
Deyvesson Israel Alves Gusmão
Diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização
Andrey Rosenthal Schlee
Diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação
Desiree Ramos Tozi
Diretor do Departamento de Assuntos Estratégicos e Intersetoriais
Daniel Borges Sombra
Departamento de Patrimônio Imaterial
Coordenação Geral de Identificação e Registro
Diana Dianovsky
Coordenação Geral de Promoção e Sustentabilidade
Alessandra Rodrigues Lima
Superintendência do IPHAN em Minas Gerais
Superintendente
Daniela Lorena Fagundes de Castro
Coordenador Técnico
Rômulo Augusto Drummond
Coordenador Administrativo
Paulo José de Souza
Superintendência do IPHAN em Minas GeraisEquipe de Patrimônio Imaterial
Tainah Víctor Silva Leite
Vanilza Jacundino Rodrigues
Letícia Rosa | Estagiária
Em 2008 o Iphan registrou a Roda de Capoeira e o Ofício de Mestre de Capoeira como Patrimônios Culturais Brasileiros, inscritos respectivamente nos Livros de Registro das Formas de Expressão e dos Saberes. De acordo com as diretrizes determinadas para a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial em âmbito nacional, o requisito para o início de ações sistemáticas de apoio e fomento a uma prática cultural é a sua inscrição em um dos Livros de Registro do Iphan. A partir daí, Iphan, detentores e detentoras do bem cultural registrado, segmentos sociais e instituições envolvidas precisam estar mobilizados e articulados no sentido de planejar e executar ações que viabilizem a continuidade da prática objeto de Registro, em uma interlocução continuada entre Estado e sociedade.
A partir do Registro da Roda de Capoeira e do Ofício de Mestre de Capoeira, o Iphan realizou, em Minas Gerais, várias ações no sentido de sua divulgação, apoio e fomento, orientadas por um Plano de Salvaguarda com vistas à sustentabilidade dessas práticas culturais, constituindo-se um coletivo composto por mestres/as, praticantes, professores/as, alunos/as, pesquisadores/as e representantes de órgãos públicos que, reunindo-se periodicamente, é responsável pela definição dos rumos das ações que visam o apoio e fomento da prática no estado.
A partir desse esforço de constituição de uma memória da capoeira em Minas Gerais, o Iphan nos procurou, reconhecendo a qualidade do nosso trabalho e identificando uma estreita afinidade entre o trabalho audiovisual que vimos desenvolvendo junto ao Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG e os objetivos de documentação e divulgação dos saberes da Capoeira junto ao patrimônio imaterial brasileiro. Nesse sentido, o Iphan nos propôs a constituição de um TED (Termo de Execução Descentralizada), a ser firmado em parceria com a PROEX, com aporte de recursos geridos pela FUNDEP, para a execução de um conjunto de 20 retratos audiovisuais de mestres de capoeira de todo o estado de Minas Gerais. Além da edição de um retrato já filmado por eles e de um vídeo-síntese, reunindo todo o material captado. Os mestres serão indicados pelo coletivo, que deve acompanhar de perto nosso trabalho, indicando questões a serem feitas aos mestres, além de contribuir na formulação do roteiro e da edição final do video-síntese.
Em termos de metodologia, acreditamos que a parceria entre o IPHAN MG e a UFMG será extremamente profícua em função da afinidade entre os objetivos de defesa da memória imaterial de mestras e mestres de saberes tradicionais e os métodos e práticas desenvolvidos pelo Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG desde 2014, especialmente, no que diz respeito aos processos audiovisuais com os quais o Programa vem trabalhando na realização de retratos audiovisuais de mestras e mestres.
Um conjunto de retratos pode ser acessado no link a seguir, como referência ao formato audiovisual que propomos: https://www.saberestradicionais.org/category/video-retratos/
Também desenvolvemos uma elaboração conceitual sobre o processo de trabalho audiovisual com mestras e mestres dos saberes tradicionais no programa no texto:
ASPAHAN, Pedro; GUIMARÃES, César. A experiência audiovisual com os Saberes Tradicionais na UFMG. In: SILVA, Rubens Alves da. Patrimônio, informação e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2020. Disponível em: https://paisagemsonora.org/bibliografia_mata/experiencia-saberes-tradicionais.pdf
A metodologia audiovisual desenvolvida pelos Saberes Tradicionais para a realização dos chamados Retratos Audiovisuais foi conceituado no artigo:
ASPAHAN, Pedro; GUIMARÃES, César. A experiência audiovisual com os Saberes Tradicionais na UFMG. In: SILVA, Rubens Alves da. Patrimônio, informação e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2020. Disponível em: https://paisagemsonora.org/bibliografia_mata/experiencia-saberes-tradicionais.pdf
“A rigor, o que fazemos quando construímos os chamados retratos das mestras e mestres não é bem uma entrevista, pois não se trata de simplesmente conduzir um jogo regulado de perguntas e respostas. Se permanecemos no fora-de-campo e elidimos nossas intervenções na montagem é porque elas se querem simplesmente indutoras de uma fala que permita aos mestres discorrer sobre sua formação e o processo de aquisição dos saberes do quais são portadores, o adensamento de suas experiências ao longo da vida, bem como as vinculações de sua história pessoal com a história mais longa das comunidades a que pertencem. Procuramos um desvio do regime da informação, sustentando uma mediação discreta (na qual predominam mais os comentários do que as perguntas) capaz de reforçar o valor de presença (contigencial, singular, não controlada) daquele que toma a palavra para si. Necessidade, portanto, de afirmação da auto-mise-en- scène na construção conjunta do retrato. Nesse sentido, convidamos o espectador a uma experiência de escuta paciente no encontro com a duração fabuladora e de rememoração da fala das mestras e dos mestres. Ao escutá-los, participamos, por um instante, de outra temporalidade, compartilhada conosco por meio do regime oral de transmissão dos saberes.
A composição do retrato audiovisual é aparentemente simples, mas o resultado para a experiência do espectador é bastante significativo. O que chamamos de retrato é a apresentação de uma conversa com as mestras e mestres, na qual escutamos um pouco de suas histórias de vida; abordamos sua relação com os ancestrais dos quais herdaram os saberes, atitudes e valores que definem sua mestria (bem como as condições atuais para a sua transmissão para os mais novos); pedimos que apresentem ao espectador a cosmovisão que orienta seu saber e os outros elementos a ele associados (as narrativas míticas, os cantos, as rezas, as práticas rituais, os jogos e as danças). Falamos também do que acharam da experiência pela qual passaram na universidade, na sua relação com os alunos, e das condições (com dificuldades e possibilidades) para a sustentação e a disseminação dos saberes tradicionais na sociedade brasileira atual.” (ASPAHAN, GUIMARÃES, 2020, p. 251-252).
Quase não editamos as falas, em busca de preservar a integridade do discurso dos mestres, utilizando apenas subtítulos para separar as sessões.
Veja alguns retratos em https://www.saberestradicionais.org/category/video-retratos
O Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais foi criado na UFMG em caráter experimental em 2014. Este programa encontra-se em diálogo e se inspira na proposta do Encontro de Saberes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCTI) de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB). Ao conceder hospitalidade aos saberes das culturas afrodescendentes, indígenas e populares, o projeto procura abrir a universidade a experiências de ensino e pesquisa pluriepistêmicas. Os cursos são oferecidos às alunas e alunos de todas as graduações e pós-graduações da UFMG. O Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais vem atuando na realização de filmes documentários, retratos audiovisuais e videoaulas com mestras e mestres dos saberes tradicionais desde 2014.
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