Oferta 1: UNI 209 – 60 horas/aula
Saberes Tradicionais: Artes e poéticas ancestrais – Ilês e ialorixás em diálogo
Ementa: o curso promove o encontro e o diálogo de duas ialorixás que são lideranças em seus respectivos territórios e ilês e que carregam diferentes trajetórias e histórias. Como essas histórias podem se aproximar? Como as suas práticas de cuidado podem dialogar? Que desejos poderão compartilhar? Que trocas cosmopolíticas podem ocorrer? Ione Maria de Oliveira, Ialorixá Ione Ty Oyá, do Ilê Axé Oyá Labá Tojú Arà Womom, é liderança do Quilombo Mangueiras (Belo Horizonte, MG). Marlene Medrado, Ialorixá Marlene de Oxalufã, é zeladora do Ilê Axé Omin Ota Odara (Cachoeiras de Macacú, RJ). As duas ialorixás foram convidadas a conversar sobre os seus territórios, as suas lutas e resistências, as suas práticas de cuidado coletivo e de cura, a importância da formação, educação e transmissão intergeracional dos saberes ancestrais, o protagonismo feminino e os sonhos e planos de futuro no tempo ancestral. Os estudantes participarão das conversas e farão registros, de formas diversas, em diálogo com os professores parceiros.
O curso terá também a participação especial de Marcelo Olajiminá e Tia Betinha do Caxambu do Salgueiro e do Quilombo do Brejal, no Rio de Janeiro, ambos participantes da Cozinha das Tradições. Parceria da FTST com a ESDI/UERJ por meio do projeto Design, sustentabilidade e colaboração no Antropoceno: fazendo mundos com mulheres, árvores e águas no centro da cidade do Rio de Janeiro (FAPERJ).
Mestra convidada: Ialorixá Marlene de Oxalufã
Marlene Medrado é a Ialorixá Marlene de Oxalufã, zeladora do Ilê Axe Omin Ota Odara, localizado no município de Cachoeiras de Macacú, Rio de Janeiro. Marlene é formada em Desenho e Artes Plásticas pela UFRJ. É especialista em Tecnologias Educacionais pela UERJ e em Geometria Dinâmica pela UFRJ. Professora aposentada das redes pública federal e privada. É mestra da Cozinhas das Tradições, na ESDI/ UERJ e pesquisadora associada ao Laboratório de Design e Antropologia (LaDA/ESDI/UERJ).
Mestra convidada: Ialorixá Ione Ty Oya
Ione Maria de Oliveira é a Ialorixá Ione Ty Oya, liderança do Quilombo Mangueiras, localizado no bairro Novo Aarão Reis, Belo Horizonte, e zeladora do Ilê Axé Oyá Labá Tojú Arà Womom. Herdou os conhecimentos de sua mãe, Wanda de Oliveira, e hoje é guardiã dos princípios que sustentam a sua comunidade. É fundadora do grupo Mulheres de Rocha, Rainha da Guarda de Congo Estrela do Oriente e uma das principais vozes da N’Golo, a Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais. Participa do Projeto Quilombo Reconhece Quilombo, da Cozinha das Tradições e atua como professora na Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG.
Mestras convidadas
Ialorixá Ione Ty Oyá (Quilombo de Mangueiras, BH)
Ialorixá Marlene de Oxalufã (Ilê Axé Omin Ota Odara, RJ)
Assistentes das mestras
Marcus Tulio de Oliveira Gonzaga (BH);
André Victor Alves Ramos (RJ)
Profs Parceirxs:
Renata Marquez (ACR/Escola de Arquitetura); Daniel Menezes (PRJ/Escola de Arquitetura);
Zoy Anastassakis – UERJ (voluntária)
Cronograma
Os alunos devem estar disponíveis para a agenda descrita abaixo, concentrada nas tardes,
de 14:00-17:30.
Algumas das aulas acontecerão em territórios quilombolas de Belo Horizonte, a combinar
datas e locais oportunamente.
08/10 QUI Introdução com professores parceiros
15/10 QUI Visita à exposição Sonhar a Terra (Espaço do Conhecimento UFMG)
16/10 SEX Debate textos e filmes
19/10 SEG O território a partir do Quilombo Mangueiras com Ialorixá Ione Ty Oyá
22/10 QUI O território a partir do Ilê Axé Omin Ota Odara com Marlene de Oxalufã
23/10 SEX Territorialidades plurais, histórias plurais: diálogos
26/10 SEG Ancestralidade e memória: diálogos
29/10 QUI Folhas e práticas de cuidado: diálogos
30/10 SEX Educação e transmissão intergeracional: diálogos
31/10 SÁB Protagonismo feminino, sonhos e lutas contemporâneas: diálogos
Visita ao Quilombo Mangueiras e Cozinha das Tradições
05/11 QUI Roda de conversa e planejamento da produção gráfica
09/11 SEG Prática gráfica
12/11 QUI Prática gráfica
16/11 SEG Encontro de fechamento
Oferta 3: UNI 053 – 60 horas/aula
Saberes Tradicionais: Cosmociências – Modo de vida, cosmologia e ciências do Povo Puri da Zona da Mata Mineira.
Ementa: Diálogos em torno da retomada: desterritorialização, rupturas identitárias e apagamentos sistemáticos x reativação identitária, história do povo Puri e da Retomada Uxu Txori. O Protocolo Comunitário Biocultural do Movimento Indígena de Retomada Puri, do grupo Uxo Txori da Zona da Mata Mineira (Retomada Puri Uxo Txori). O conhecimento das plantas medicinais nas ciências do Povo Puri: relação íntima com a biodiversidade do Bioma Mata Atlântica. Técnicas de saúde e cura: banhos, chás e defumações. O grande círculo de cantos, memória e cura. Mobilização, comunicação e imagens da Retomada Puri Uxo Txori e a construção de alianças.
Mestra convidada: Helenice Puri
Helenice Maria Gomes (Xapuko Txori Puri) é mulher indígena do povo Puri, liderança cultural e fundadora do Movimento Indígena de Retomada Puri Uxo Txori ZM-MG. Atua na preservação e difusão dos saberes tradicionais, desenvolvendo atividades que envolvem medicina tradicional, artesanato, culinária, agricultura e transmissão de conhecimentos ancestrais.
Como liderança do Movimento Indígena de Retomada Puri Uxo Txori ZM-MG, organiza encontros, oficinas e ações culturais com famílias Puri da Zona da Mata. Também coordena o evento Kanduna Puri e realiza palestras, formações e atividades educativas em escolas, universidades e projetos de extensão, promovendo a valorização da memória e da identidade do povo Puri.
Assistente convidada: Heloísa Puri
Heloísa Puri (Ponan Txori Puri) é indígena do povo Puri, filha da liderança Helenice Puri e mãe de Yara Matu. Integra o Movimento Indígena de Retomada Puri Uxo Txori ZM-MG desde sua formação, atuando no fortalecimento da cultura e identidade do povo Puri. Participa da coordenação do evento Kanduna Puri e desenvolve atividades junto à liderança comunitária voltadas à valorização dos saberes tradicionais, da memória, da língua, da medicina tradicional, do artesanato e do acesso às políticas públicas. Sua atuação está comprometida com a preservação e a difusão da cultura Puri, contribuindo para o fortalecimento da presença indígena na Zona da Mata Mineira.
Povo Puri Zona da Mata Mineira
Mestra: Helenice Puri
Assistente: Heloísa Puri
Profs. Parceirxs:
Luciana de Oliveira (DCS/Fafich)
Emanuel Almada (DAA/Fafich)
CRONOGRAMA
Aula 1 – 13/11 – Abertura
Aula 2 – 16/11 – luta de retomada identitária no estado de Minas Gerais
Aula 3 – 17/11 – protocolo biocultural do ponto de vista de um povo tradicional
Aula 4 – 18/11 – ciência e tecnologia do Povo Puri da da Retomada Puri Uxo Txori
Aula 5 – 19/11 – grande roda de encerramento do trabalho na UFMG
Aula 6 – 20/11 – Deslocamento para o território Puri Uxo Txori (Zona Rural de Viçosa-MG)
Aula 7 – 21/11 – Vivência do território
Aula 8 – 22/11 – Despedida e deslocamento de retorno a BH.
Oferta 4: UNI 052 – 45 h/a
Línguas e Narrativas – Cantos e histórias dos povos Katxuyana e Kahyana
Parceria com o projeto de pesquisa do prof. Ruben Caixeta de Queiroz (DAA/PPGAN), com financiamento da Capes
Ementa: A disciplina propõe um espaço de encontro entre diferentes regimes de conhecimento – particularmente, entre formas acadêmicas e indígenas de produção e transmissão de saberes -, a partir dos cantos e histórias dos Katxuyana e Kahyana, “gentes” (yana) dos rios Cachorro (Katxuru) e Trombetas (Kahu), no norte da Amazônia. Será conduzida pelos mestres Mario Wehtxo, Manoel Muyi e Raimunda Isamaruna, com interpretação de Neide Imaya Wara.
Partindo da compreensão de que cantos e histórias constituem dispositivos de memória profundamente vinculados às retomadas (woremano we’tohu), a disciplina abordará sua relação com a regeneração da terra e da vida, a reconexão com os conhecimentos dos antigos (panano) e o fortalecimento das formas indígenas de produção e transmissão de saberes. Fruto de uma trajetória de colaboração entre mestres tradicionais, organizações indígenas, pesquisadores e instituições parceiras, a disciplina articula ensino, pesquisa e documentação, contribuindo para a salvaguarda e a circulação desses conhecimentos no contexto das retomadas territoriais e culturais conduzidas pelos povos Katxuyana e Kahyana.
Mestreconvidado: Manoel Moyí Tihta Kaxuyana
Manoel Moyí Tihta Kaxuyana é ancião e mestre de saberes tradicionais dos povos Kahyana e Katxuyana, conhecido por seu domínio dos cantos cerimoniais e por seu profundo conhecimento das histórias orais e narrativas míticas (panano). Nascido no rio Kahu (Trombetas), no norte amazônico, tornou-se jovem no rio Katxuru (Cachorro), de onde foi levado, junto de seu povo, para a Missão Tiriyó, no rio Paru d’Oeste, atual Terra Indígena Parque do Tumucumaque, no final da década de 1960. Aprendeu os cantos tradicionais por meio da participação em cerimônias e festividades e da convivência com mestres mais velhos. Hoje, é reconhecido como importante guardião da memória coletiva, contribuindo para a continuidade dos conhecimentos cerimoniais e para a transmissão de cantos, histórias e narrativas que conectam as gerações atuais aos modos de vida e territórios ancestrais de seu povo
Mestre convidado: Mário Wetxo Waritamuru Kaxuyana
Mario Wetxo Waritamuru Kaxuyana é ancião e mestre de saberes tradicionais dos povos Kahyana e Katxuyana. Irmão mais novo de Manoel Moyí Tihta Kaxuyana, é amplamente reconhecido por seu domínio dos cantos cerimoniais, das narrativas míticas (panano) e, de modo particular, da confecção do txamatxama, coroa dupla emplumada conectada à comunicação com espíritos animais e ancestrais, às festas e aos rituais e, hoje, também às figuras de liderança dos povos Katxuyana e Kahyana. Assim como seu irmão, Mario nasceu no rio Kahu (Trombetas), no norte amazônico, e vivenciou ainda jovem os deslocamentos forçados que marcaram a história de seu povo. Embora tenha aprendido cantos e histórias na convivência com os mais velhos, foi na vida adulta que passou a confeccionar o txamatxama, movido pela necessidade de produzir adornos para uso ritual nas festividades coletivas. Tornou-se, desde então, uma das principais referências contemporâneas na retomada dessas artes, atuando como mestre na formação de jovens aprendizes e contribuindo de maneira decisiva para a continuidade, documentação e fortalecimento dos conhecimentos Katxuyana e Kahyana entre gerações.
Mestra convidada: Raimunda Isamaruna Kaxuyana
Raimunda Isamaruna Kaxuyana é mestra de saberes tradicionais dos povos Katxuyana e Kahyana. Filha de mãe Katxuyana e pai Kahyana, nasceu em território ancestral, na região dos rios Katxuru (Cachorro) e Kahu (Trombetas), no norte amazônico. Ainda jovem, vivenciou os deslocamentos forçados que levaram diferentes famílias katxuyana e kahyana a serem removidas de seus territórios tradicionais no contexto das epidemias, missões religiosas e processos de expropriação territorial que marcaram a história desses povos ao longo do século XX. Reconhecida por seu profundo domínio de conhecimentos associados às artes materiais femininas, Raimunda é conhecida como ceramista e tecelã do monenho, a saia frontal de miçangas utilizada em contextos cerimoniais e de ornamentação corporal. Seu trabalho articula técnica, memória, estética e transmissão de conhecimentos, mobilizando saberes herdados das mulheres antigas e reafirmando a centralidade das práticas femininas na continuidade da vida coletiva.
Historiadora e intérprete convidada: Neide Imaya Wara Kaxuyana
Neide Imaya Wara Kaxuyana é liderança e pesquisadora do povo Kahyana. Pertence à geração nascida na Missão Tiriyó, no Parque Indígena Tumucumaque, após os deslocamentos forçados vividos por seu povo nas décadas anteriores. Atualmente, está à frente da aldeia Purho Mïtï, no rio Kahu (Trombetas), na Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, no noroeste do Pará, Amazônia brasileira, território ancestral retomado por seu povo após décadas de exílio territorial. Sua atuação está profundamente ligada ao fortalecimento dos conhecimentos tradicionais, das línguas e das memórias dos povos Kahyana e katxuyana. Escolarizada e com formação universitária, Neide é graduada em História e Geografia pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). Atuou como professora indígena de educação bilíngue no âmbito da Prefeitura Municipal de Oriximiná e foi pesquisadora no projeto Documentação Colaborativa da Língua Werikyana, desenvolvido pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena em parceria com a University of Oregon. Atualmente, atua como pesquisadora nos projetos Artes do Txama Txama — voltado à documentação, valorização e salvaguarda das práticas e saberes associados à arte plumária dos povos Katxuyana, Kahyana e Yatxkuryana — e Povos indígenas e museus: reconectando os Katxuyana e Kahyana ao seu patrimônio cultural. Por meio de seu trabalho, articula documentação colaborativa e pesquisa intercultural, contribuindo para o fortalecimento dos movimentos de retomada cultural e territorial de seu povo.
Mestres e Mestras:
Mario Wehxto Kaxuyana
Regina Wiriri Kaxuyana
Manoel Muyí Kahyana
Elisa Tiriyó
Profs. Parceirxs:
Ruben Caixeta de Queiroz (DAA)
Eduardo Rossi (Escola de Música)
Pesquisadoras colaboradoras (voluntários)
Luíza Girardi (Pós-doutoranda PPGAN)
Manuella Rodrigues Sousa – Programa Tumucumaque-Wayamu, Iepé
Neide Imaya Wara Kaxuyana – AIKATUK
CRONOGRAMA
Unidade I – Agosto de 2026 – Professores parceiros
Aula 1 – Quarta-feira, 12/08/2026, das 14h às 18h
Apresentação da disciplina
Aula 2 – Quarta-feira, 26/08/2026, das 14h às 18h
Os povos indígenas Katxuyana e Kahyana e seus movimentos de retomada
Unidade II – Setembro de 2026 – Professores parceiros
Aula 3 – Quarta-feira, 09/09/2026, das 14h às 18h
Artes verbais na Amazônia Indígena I
Aula 4 – Quarta-feira, 23/09/2026, das 14h às 18h
Artes verbais na Amazônia Indígena II
Unidade III – Outubro de 2026 – Módulo Intensivo com Mestres
Aula 5 – Quarta-feira, 14/10/2026, das 14h às 18h
Cantos e histórias Kahyana e Katxuyana I
Aula 6 – Sábado, 17/10/2026, das 09h às 13h
Oficina de documentação e registro de cantos e histórias
Aula 7 – Quarta-feira, 21/10/2026, das 14h às 18h
Cantos e histórias Kahyana e Katxuyana II
Aula 8 – Sábado, 24/10/2026, das 09h às 13h
Oficina de documentação e registro de cantos e histórias
Unidade IV – Novembro de 2026 – Professores parceiros
Aula 9 – Quarta-feira, 11/11/2026, das 14h às 18h
Documentação colaborativa, circulação e tradução de práticas de conhecimento indígenas
Aula 10 – Quarta-feira, 25/11/2026, das 14h às 18h
Discussão final e encaminhamento dos trabalhos.
Unidade V – Dezembro de 2026
Entrega de trabalho final e avaliação da disciplina – 01 a 15/12/2026
Carga horária total: 45 horas (40h/aula + 5h/avaliação)




