Durante a Semana do Conhecimento UFMG, de 17 a 21 de outubro de 2022, doze mestras e mestres de saberes das tradições indígenas e afro-brasileiras e três artistas estarão na UFMG para receberem o título de doutor/a por Notório Saber.

Na ocasião, participarão de rodas de conversa, apresentações artísticas, exibições comentadas de filmes, lançamento de livros, exposições e oficinas sobre uma diversidade de temas: a luta pela terra e pelo território; a relação com a mata e os ecossistemas; o cuidado com as sementes; as imagens e os cantos; o sonho dos ancestrais; os jovens e a proposta de uma universidade aberta aos saberes dos povos indígenas e afro-brasileiros. Participe!

Classificação livre


Programação

17 de outubro (segunda)

17h às 18h30

Abertura do Encontro:

“Diplomação e homenagem às mestras, mestres e artistas”

Local: Auditório Nobre do Centro de Atividades Didáticas de Ciências Biológicas (CAD1)


18 de outubro (terça)

9h às 11h
Roda de conversa:
A presença dos Saberes Tradicionais na universidade

Participantes:
Joelson Ferreira
José Jorge de Carvalho
Leda Maria Martins
Maria Muniz Andrade Ribeiro – Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguassu/BA
Sandra Benites

Mediação:
Nilma Lino Gomes

Local: Auditório Sônia Viegas (Fafich)

14h
Performance:
Mesmo quando só eu só ando em bando
por Ricardo Aleixo

Local: Estação Ecológica

14h30 às 17h
Roda de conversa:
A Terra e o Território dos nossos ancestrais: campo e cidade

Participantes:
Sueli Maxakali – Aldeia Escola Floresta, Itamunheque, Teófilo Otoni/MG
Cacique Babau – Serra do Padeiro/BA
José Bonifácio da Luz | Bengala – Contagem/MG

Convidada:
Makota Kidoiale – Manzo Ngunzo Kaiango, BH, Santa Luzia/MG

Local: Estação Ecológica

18h30 às 20h30
Sessão comentada:
Filme: “Essa terra é nossa

Comentadores:
Sueli Maxakali – Aldeia Escola Floresta, Itamunheque, Teófilo Otoni/MG
Isael Maxakali – Aldeia Escola Floresta, Itamunheque, Teófilo Otoni/MG

Local: Bosque da Música


19 de outubro (quarta)

9h às 11h
Roda de conversa:
A sobrevivência das sementes

Participantes:
Joelson Ferreira de Souza – Assentamento Terra Vista, Arataca/BA
Maria Muniz Andrade Ribeiro – Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguassu/BA
Japira Pataxó – Aldeia Novos Guerreiros, Porto Seguro/BA
Valdemar Xakriabá – São João das Missões/MG

Convidado:
Seu Badu | Silvio da Siqueira – Quilombo Matição, Jaboticatubas/MG

Local: Auditório Sônia Viegas (Fafich)

11h30 às 12h
Lançamento de livros:

As lutas existem pela nossa terra
de Joelson Ferreira de Oliveira

É a terra que nos organiza
de Cacique Babau (Coleção Especial Notório Saber)

Ñe’e Tee Rekove: Palavra viva verdadeira” | Selo PPGCOM-UFMG
Por terra e território – caminhos da revolução dos povos no Brasil
de Joelson Ferreira e Erahsto Felício

A escola da reconquista”
de Maria Muniz de Andrade Ribeiro
organizado por Rosângela Pereira de Tugny
Coleção Teia dos Povos

Local: Área externa do auditório Sônia Viegas (Fafich)

14h
Performance:
A arte que vem de um povo de fé, que toca canta e dança
por Mauricio Tizumba

Local: Estação Ecológica

14h30 às 17h
Roda de conversa:
“As imagens, os cantos

Participantes:
Sueli Maxakali – Aldeia Escola Floresta, Itamunheque, Teófilo Otoni/MG
Mestre Primo – BH/MG
José Bonifácio da Luz | Bengala – Contagem/MG
Maria Muniz Andrade Ribeiro – Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguassu/BA
Dirceu Pereira – Justinópolis/MG

Convidada:
Pedrina de Lourdes Santos – Capitã do Terno de Massambike de Nossa Senhora das Mercês, Oliveira, MG

Local: Estação Ecológica

19h às 21h – Abertura da exposição Feito de folhas e penas

Local: 5º andar do Espaço do Conhecimento UFMG


20 de outubro (quinta)

9h às 11h
Roda de conversa:
Os sonhos dos ancestrais

Participantes:
Dirceu Pereira – Justinópolis/MG
Mametu Kitaloyá – BH/MG
Mestre Primo – BH/MG

Local: Auditório Sônia Viegas (Fafich)

14h
Performance:
O que me trouxe aqui
por Gil Amâncio

Local: Estação Ecológica

14h30 às 17h
Oficina:
Chamando o mato de volta

Participantes:
Japira Pataxó – Aldeia Novos Guerreiros, Porto Seguro/BA
Mameto Kitaloyá – BH/MG
Isael Maxakali – Aldeia Escola Floresta, Itamunheque, Teófilo Otoni/MG
Convidado:
Pai Ricardo de Moura – Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, BH/MG

Local: Estação Ecológica

18h30 às 20h30
Sessão comentada:
Filmes realizados pelo Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG

com César Guimarães
Pedro Aspahan

Local: Bosque da Música


21 de outubro (sexta)

9h às 11h – Roda de conversa As crianças e a juventude dos povos tradicionais: um programa para a UFMG | Parte 1

Participantes:
Isael Maxakali – Aldeia Escola Floresta, Itamunheque, Teófilo Otoni/MG
José Bonifácio da Luz | Bengala, Contagem/MG
Valdemar Xakriabá – São João das Missões/MG

Local: Auditório Sônia Viegas (Fafich)

14h30 às 17h30 – Roda de conversa As crianças e a juventude dos povos tradicionais: um programa para a UFMG | Parte 2

Participantes:
Maria Muniz Andrade Ribeiro – Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguassu/BA
Cacique Babau – Serra do Padeiro/BA
Joelson Ferreira de Souza – Assentamento Terra Vista, Arataca/BA

Local: Auditório Sônia Viegas (Fafich)


Perfil dos Mestres e Artistas

  • Nailton Muniz Pataxó (Cacique Nailton)*: Vivendo na Terra Indígena Caramuru Paraguassu (Bahia), o Cacique Nailton, se empenhou – por longos anos –  em reunir os parentes esparramados pelo Brasil (forçados a fugir de seu território), mobilizando-os a lutar pelo retorno às terras que lhe foram violentamente expropriadas pelos fazendeiros. Desde então,  sua ação se desdobrou em várias frentes: nos embates pela reocupação dos territórios; na diplomacia institucional (com destaque para a atuação na Constituinte de 1988) e no trabalho de formação de lideranças políticas junto ao povo Pataxó Hã Hã Hãe. 
    *não virá por problemas de saúde
  • Valdemar Ferreira dos Santos (Seu Valdemar Xakriabá): liderança do povo Xakriabá, educador engajado na luta pelos direitos dos povos indígenas, grande conhecedor do Cerrado – seu território ancestral – Seu Valdemar é mestre da contação de histórias. Vive na Terra Indígena Xakriabá, município de São João das Missões, no norte de Minas Gerais e tem seu conhecimento adquirido na relação com os antepassados e com a espiritualidade. Homem-memória, um educador pleno, seu Valdemar traz consigo uma ciência que se constrói sob o ritmo das culturas de tradição oral.
  • José Bonifácio da Luz (Bengala): Liderança da Comunidade quilombola dos Arturos (Contagem, MG), Bengala é Mestre da Guarda de Congo nos festejos do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Contra-Mestre da Folia de Reis, e participa ativamente de outras práticas festivas e rituais, como a Festa de Capina (João do Mato) e o Batuque. Além de sua mestria nas artes da performance no Congo, no Moçambique e no Candombe, Bengala é um orientador de crianças e jovens no aprendizado das tradições.
  • Maria Muniz (Mestra Mayá): Vivendo na Terra Indígena Caramuru Paraguassu (Bahia), guiada pela grande força espiritual de sua mãe – que repassava aos filhos o conhecimento adquirido nos sonhos – engajada na luta pelo território dos Pataxó Hã Hã Hãe, a mestra Mayá deu aulas (para os alunos e os pais) em meio às ações de retomada, sob os abusos da polícia e dos ataques dos fazendeiros. Diante dessa situação, ela instalou a sua escola debaixo das árvores e ao lado das fogueiras, e sempre na companhia dos seres espirituais.
  • Gil Amâncio: O ator, dançarino e músico Gil Amâncio pesquisa múltiplas formas de expressão da arte negra na cidade de Belo Horizonte, combinando as artes da performance próprias das culturas afro-diaspóricas com elementos do cinema, do vídeo e das tecnologias digitais do som e da imagem. O trabalho conjugado de artista e educador volta-se para a formação das novas gerações em seu Ciberterreiro, referenciado nas práticas do território e nas epistemes do Candomblé, da Umbanda, do Maracatu e da Capoeira Angola.
  • Maria de Fátima Nogueira (Mameto Kitaloyá): liderança do terreiro Nzo Atim Kitalodé (em Belo Horizonte), Mameto Kitaloyá tem lutado pela preservação, continuidade e partilha dos saberes e fazeres afro-brasileiros vinculados ao candomblé Angola e à Umbanda.  À frente de sua comunidade, ela tem desenvolvido diversas ações religiosas, educativas, artísticas, promovedoras da cura e do cuidado espirituais, e também ambientais (seja na defesa das áreas verdes do bairro, seja nas práticas de cultivo realizadas pelo terreiro).
  • Maurício Tizumba: ator, cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro que, em seus 49 anos de carreira, faz um percurso de grande relevância para a arte afro-brasileira. Em sua performance, apresenta a fé do Reinado negro de Minas Gerais que toca, canta e dança, reverberando memórias, saberes, técnicas e tradições que são ancestrais e contemporâneas ao mesmo tempo.
  • Dirceu Pereira Sérgio: Capitão regente e presidente da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis (em Ribeirão das Neves, Minas Gerais), seu Dirceu traz consigo os saberes ritualísticos e as artes da performance próprias  do Candombe, do Reinado do Rosário e do Reisado, mantidos pela comunidade quilombola da região. Ele  também é um exímio mestre da confecção dos artefatos e instrumentos presentes nas atividades do Reinado: rosários, cetros, bastões, coroas, caixas, tambores, gungas e pantagomes,  feitos artesanalmente.  
  • Ricardo Aleixo: Artista intermídia e pesquisador de literaturas, outras artes e mídias, Aleixo estrutura sua performance-aula a partir de sua concepção pessoal da “poesia em situação de performance”. No estágio atual de sua pesquisa, baseada na presentificação do legado estético das culturas africanas e afro-diaspóricas, o artista desenvolve os fundamentos teórico-práticos do campo intermídia a que dá o nome de poética cênica Dendorí.
  • Joelson Ferreira dos Santos: Liderança da Teia dos Povos – firmada na aliança Preta, Indígena e Popular –  e do Assentamento Terra Vista (em Arataca, Bahia), onde desenvolve as técnicas de cultivo próprias dos Sistemas Agroflorestais (especialmente o método do cacau cabruca, plantado à sombra das árvores), Joelson elaborou o que ele chama de autonomia pedagógica dos povos, propondo a criação de quatro  escolas:  do Arco, da Flecha e do Maracá; dos Terreiros e dos Tambores; das Águas e Marés; dos Biomas Locais. Sua atuação e seu pensamento buscam“construir outra humanidade, fora da perspectiva capitalista”.
  • Antônia Braz Santana (Mestra Japira): Liderança e zeladora dos saberes pataxó, pajé da aldeia Novos Guerreiros (Bahia), Mestra Japira é uma grande conhecedora dos ecossistemas da Capoeira, da Mata Atlântica, da Restinga e do Brejo, tendo desenvolvido um abrangente e minucioso repertório da farmacopéia do seu território. Conhecedora da linguagem das plantas – conhecimento que lhe foi transmitido pelos espíritos dos ancestrais e pelos mais velhos – ela é uma mestra dos cuidados e da cura (nos planos biológico e espiritual, interligados). 
  • Edson Moreira da Silva (Mestre Primo): Mestre Primo começou pela capoeiragem de rua, no final dos anos 1970, enquanto militava no Movimento Negro, e na década seguinte foi ao encontro dos grandes capoeiristas da linhagem do Mestre Pastinha, como João Pequeno. Seu trabalho junto ao Coletivo Iúna de Capoeira Angola, fundado por ele no bairro Saudade (na casa da mãe), combina a educação comunitária, a partilha do conhecimento ancestral e a formação política contra-colonizadora
  • Rosivaldo Ferreira da Silva  (Cacique Babau): Liderança da aldeia Serra do Padeiro, na Terra Indígena Tupinambá de Olivença (sul do Estado da Bahia), o Cacique Babau tem atuado na luta pela autonomia, autossuficiência e bem viver dos povos e das comunidades tradicionais, orientado e protegido pelos Encantados. Confrontando a destruidora expansão capitalista, e animado por uma força contra-colonizadora, sua luta política defende que a terra, os rios, os animais e todas as espécies são detentoras de direitos.
  • Sueli Maxakali:  Liderança do povo Tikmũ’ũn (Maxakali), empenhada na luta por terra e território (em meio ao bioma devastado da Mata Atlântica no nordeste de Minas Gerais), seu conhecimento das práticas rituais, das narrativas e dos cantos dos “povos-espírito” remonta à sua infância, ao lado da avó materna. Cineasta e fotógrafa, sua mestria de tradutora promove passagens entre a língua Tikmũ’ũn e o português, entre a oralidade e a escrita alfabética, a imagem, o canto e o texto. 
  • Isael Maxakali: Liderança do povo Tikmũ’ũn (Maxakali), descendente de uma família de pajés, com quem aprendeu os rituais e um extenso repertório de cantos, professor da escolar indígena, engajado nas lutas pela retomada da terra e do território, Isael criou uma obra cinematográfica singular, constituída por filmes-rituais, documentários e animações. Seu modo de filmar e narrar dá a ver as relações – de adoção, aliança e cura – que os Maxakali mantém continuamente com os “povos-espírito”.
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